CIMBRA Jovem 2017

Realizada no Mosteiro de São Bento, em Vinhedo, São Paulo, a CIMBRA JOVEM reuniu noviços e professos simples em uma semana de estudo acerca da Regra de São Bento, tendo como tema: “Em torno à Mesa Monástica: crescer no serviço mútuo e no amor”.

A programação teve início no dia 17/01/17 com a chegada dos noviços e professos simples dos mais diversos mosteiros inscritos. À noite, houve uma acolhida bastante fraterna e calorosa por parte da diretoria, Madre Madalena Mendonça, Prioresa das Beneditinas Missionárias de Tutzing - Academia Santa Gertrudes - Olinda, Dom Cristiano - Prior Conventual do Mosteiro da Transfiguração; presentes , também,   Dom Filipe da Silva, Abade do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro e Presidente da Congregação Beneditina do Brasil, e Dom Paulo Panza - Prior do Mosteiro de Vinhedo. Após a abertura dos trabalhos, foi definida a divisão das tarefas, em especial, a da equipe de liturgia.

O dia seguinte foi principiado por uma santa missa, celebrada pelo Dom Abade Filipe. Com calma e mansidão, alertou para que, nos trabalhos com as “coisas de Deus”, não devemos nos perder de Deus. Após o café, foram iniciados os trabalhos pela Madre Madalena, que ressaltou que o tema da mesa configura um chamado ao serviço e ao amor. Em seguida, Pe. Estevão, da Abadia Trapista Nossa Senhora do Novo Mundo, abordou a RB 31 “Como deve ser o celeireiro do mosteiro”, apresentando-nos o celeireiro à luz de São Bento, ou seja, como um facilitador de relações fraternas. No final da conferência, floresceram alguns questionamentos, a exemplo da questão da negligência. No mesmo momento, foi feita a seguinte divisão de grupos para a realização de uma dramatização da pessoa do celereiro: 1° grupo – ser sábio, maduro de caráter e sóbrio; 2° grupo – não comer muito; 3° grupo – não seja orgulhoso, turbulento nem injuriador; 4° grupo – tardo nem pródigo.

Pela tarde, foi iniciada a RB 32 “Das ferramentas e objetos do mosteiro” na qual dispusemos do mesmo espaço para perguntas. À noite, após o jantar, todos os grupos só pensavam em suas apresentações, reunindo-se para debater e expor as suas ideias. Desse modo, ocorreram os primeiros ensaios.

Já no dia 19, foi estudada a RB 33 Se os monges devem possuir alguma coisa de próprio. A Madre Madalena nos possibilitou um dia de reflexão, a qual, mesmo permeada de humor, não deixou de tocar em temas espinhosos, como o consumismo e o individualismo contemporâneos. Também foi abordada uma leitura sóbria e atualizada da RB. Nos intervalos houve sempre conversas animadas entre os formandos e outras mais discretas por parte das formandas. Todas em um clima de paz e reflexão.

No dia 20, a Madre Madalena concluiu a RB 33 “Se os monges devem possuir alguma coisa de próprio”. Em seguida, a Ir. Andrea Freire (Subprioresa do Mosteiro da Santíssima Trindade) iniciou os estudos sobre a RB 34 “Se todos devem receber igualmente o necessário”. Foi um dia intenso, e, à tarde, Ir. Andréia reflete com clareza sobre a RB 35 “Dos semanários da cozinha”. Foram momentos em que se meditou sobre os opróbrios e a entrega generosa a Deus e aos irmãos, “já não me pertenço”, do mesmo modo compreendendo a repressão de São Bento contra a murmuração. Elucidando: cozinha em São Bento quer dizer todo o serviço simples do mosteiro. Só somos felizes quando nos dispomos ao serviço.

Antes das vésperas, ocorreu um pequeno ensaio dos grupos para a dramatização. Após o jantar, o clima era de ansiedade e alegria, todos esperavam o grande início das atividades.         

Nas esperadas dramatizações, o celeireiro foi apresentado em suas falhas e virtudes, não faltaram criatividade e humor, sendo possível observar o conhecimento e a seriedade de cada grupo sobre os vários pontos tocados na regra. Em cada grupo, a RB 31 ganhava novas cores, formas, sentimentos e vida. Para completar a nossa alegria, fomos presenteados com a presença de Dom Paulo, acompanhado da sua comunidade e a noite foi encerrada com uma antífona mariana.

No dia 21– festa de Santa Inês –, as atividades vieram junto com a própria alegria do sábado: dia consagrado à Santíssima Virgem. Pe. Estevão celebrou a santa missa e, com muito ardor, salientou o exemplo da virgem e mártir, especialmente a sua força e constância na fé.

Após a mesa eucarística e a Palavra, partilhamos o pão cotidiano, rememorando a noite anterior em que os irmãos e as irmãs nos possibilitaram instantes de contentamento e aprendizagem. Em continuidade às atividades, a Madre Madalena abordou a RB 36 “Dos irmãos enfermos”, ela se valeu de diversos exemplos que seguraram a atenção de todos. À noite, assistimos a animação O bom dinossauro.

No dia 22, antecipamos as Laudes para às 6h15, tomamos o café e saímos da Casa Siloé em direção à capela do mosteiro, onde participamos da santa missa, celebrada pelo Prior do Mosteiro de São Bento, em Vinhedo, Dom Paulo. Foi um momento bonito e, no término da missa, retornamos à Casa Siloé, alguns de transporte e outros fazendo uma agradável caminhada. Às 10h30 concluímos a RB 36 e iniciamos com a Madre Madalena a RB 37“Dos velhos e das crianças”. Após o almoço retomamos as nossas atividades às 15h00, além do conteúdo da RB, assistimos a um vídeo com as nossas apresentações, foi um momento de muita descontração. Às 17h10, retornamos ao mosteiro para rezar as Vésperas. Concluída a oração, ganhamos um saboroso jantar, assim como um agradável momento de confraternização com os monges do Mosteiro de São Bento, em Vinhedo. Em seguida, rezamos as Completas e, em duas belas filas, cantamos a antífona mariana.

No dia 23, o horário volta ao de costume, com missas e Laudes, com Pe Estevão como celebrante, que fala da RB 39 “Da medida da comida”, explicitando a importância das conferências de João Cassiano e a “Regra do Mestre” como leituras essenciais para melhor entender esse capítulo. No final da conferência, aproveitou para partilhar um pouco da sua experiência como monge trapista.

No parte da tarde, Pe. Estevão inicia a RB 40 “Da medida da bebida”, citando diversas vezes a vida dos padres para salientar a justa medida: “a sabedora consiste em saber a hora de parar”.

No dia seguinte, com amor e muita compaixão, o Pe. Estevão discorre sobre o nosso contexto atual, assim, como sobre a RB 41 “A que horas convém fazer as refeições”. No período vespertino, começamos a trabalhar a RB 42“Que ninguém fale depois das completas”. Na beleza da mesa monástica, escutamos frases tão lapidadas, que poderíamos chamá-las de joias, a exemplo da seguinte preciosidade: “o mosteiro é um lugar onde o limite entre o céu e a terra é muito fino”. No fim da tarde, a alegria foi a nossa substância, ocorreram os ensaios e, às 19h30, realizou-se, com muito entusiasmo, a nossa noite cultural.

Cada apresentação foi especial, com as suas próprias peculiaridades, desde canções, dramatizações, linguagem de libras até uma bela e marcante dança que no seu canto dizia: “como é bom, como é suave viver em união”. Depois tivemos um café e rezamos “as Completas” sentados em torno das mesas do refeitório. Cada momento é único, mas esse foi, de fato, muito belo.

O dia 25, festa da Conversão de São Paulo, foi principiado com a celebração da santa missa com Dom Bernado Bonowitz, Abade do Mosteiro Trapista Nossa Senhora do Novo Mundo. De forma inusitada e inteligente, falou de um personagem não muito lembrado nos livros, o cavalo que levava São Paulo à cidade de Damasco, para, de forma catequética, discorrer sobre a cruz de Cristo como a nova montaria do apóstolo.

Mas como, no último dia, dispensar a alegria desse encontro fraterno? Afinal, como nos disse a nossa querida Presidente, Madre Vera Lucia, a Cimbra é também um lugar de criar laços de amizade. O dia estava apenas começando e D. Bernardo nos fez uma bela conferência sobre o documento do santo Padre, o Papa Francisco, Vultum Querere Dei, a propósito da vida consagrada feminina, ressaltando o que toca aos monges também. Nessa direção, explicitou que a vida monástica é batismal. Na dinâmica da vida consagrada devemos, portanto, ser transformados em Cristo, pois a vida contemplativa possui uma dimensão Cristológica.

Encerramos essa manhã tão cheia de graças com um festivo almoço e o alvoroço da partida, com nossos corações repletos de entusiasmo, transfigurados, como nos desejou o Pe. Estevão a cada dia. E como uma revoada de pássaros, deixamos aquele magnífico lugar onde fomos tão carinhosamente acolhidos.

Nossos profundos agradecimentos...