Regra de São Bento

 

Aqui você encontra o texto completo da Regra de São Bento na tradução das monjas da Abadia de Santa Maria, São Paulo.

 

 

Capítulo 1

08.01 / 09.05 / 08.09

As Diversas Espécies De Monges
É evidente que são quatro as espécies de monges. A primeira é a dos cenobitas, isto é, dos que habitam nos mosteiros militando sob uma Regra e um Abade. A segunda espécie é a dos anacoretas ou eremitas, que não se acham mais no fervor de recente conversão, mas tendo passado por diuturna experiência no mosteiro, aprenderam com o auxílio de muitos a lutar contra o demônio e, treinados nas fileiras de seus irmãos para as batalhas singulares do deserto, bastante firmes para dispensarem a companhia de outro, tornaram-se capazes, por meio do socorro de Deus, a sustentarem sós com a sua mão ou o seu braço, a luta contra os vícios da carne e do pensamento.

09.01 / 10.05 / 09.09

A terceira e detestável espécie de monges, é a dos sarabaítas, que não sendo provados por alguma regra, nem pelas lições da experiência, como se prova o ouro no crisol, antes se amolgando como o chumbo, demonstram por suas obras que se conservam ainda fiéis ao mundo e mentem a Deus pela tonsura. Encerram-se em grupos de dois ou três, e às vezes sós, sem pastor, não em apriscos do Senhor, mas nos seus próprios, sem outra lei a não ser a satisfação dos seus desejos, pois tudo quanto pensam ou querem classificam de santo e o que não lhes agrada consideram ilícito. A quarta espécie de monges é denominada a dos giróvagos, que passam toda a vida a percorrer as províncias, permanecendo três ou quatro dias em cada mosteiro, sempre errantes, nunca estáveis, escravos da gula e de suas paixões, piores em tudo do que os sarabaítas. Mas é melhor calar do que falar sobre a lamentável conduta de todos eles. Deixando, por conseguinte, uns e outros, ocupemo-nos com o auxílio do Senhor, em estabelecer a regra de vida da mais valorosa espécie de monges, a dos cenobitas.

Capítulo 2

10.01/11.05/10.09

Como Deve Ser O Abade
O abade que for considerado digno de governar o mosteiro deve sempre lembrar-se do nome que lhe dão e realizar nas suas ações o título de superior. Na verdade, acredita-se que no mosteiro ele ocupa o lugar do Cristo, uma vez que é chamado pelo mesmo nome, segundo as palavras do Apóstolo: Recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Abba, isto é, Pai. Por conseguinte, nada deve o abade ensinar, estabelecer ou prescrever de contrário aos preceitos do Senhor, porém as suas ordens e ensinamentos, penetrem na alma dos discípulos como fermento da justiça divina. Lembre-se o abade constantemente de que, no tremendo juízo de Deus, lhe pedirão estritas contas, tanto da sua doutrina como da obediência dos discípulos. E saiba que será atribuído como culpa ao pastor, tudo quanto o Pai de família encontrar a menos no progresso de suas ovelhas. Este mesmo critério será aplicado se houver dispensado todos os cuidados de pastor a um rebanho turbulento e desobediente e se houver empregado toda a solicitude em curar-lhe as ações doentias; plenamente justificado no juízo do Senhor, poderá esse pastor dizer-lhe com o Profeta: Não ocultei a vossa justiça no meu coração; proclamei a vossa verdade e salvação, mas, nenhum caso dela fizeram e desprezaram-me. E então a pena de morte cairá sobre as ovelhas rebeldes aos seus cuidados.

11.01/12.05/11.09

Portanto aquele que recebe o nome de abade deve instruir de dois modos os discípulos: mostrar-lhes o que é bom e santo, mais por atos do que por palavras; de forma que, aos discípulos capazes dê a conhecer de viva voz os mandamentos do Senhor e aos de coração endurecido e espírito rude manifeste pelas suas ações os preceitos divinos. Tudo porém que houver ensinado aos discípulos a considerar como nocivo, mostre-lhes por suas obras que não o devem fazer, a fim de que pregando aos outros, não venha a ser condenado. Nem lhe diga Deus quando pecar: Por que anunciaste a minha justiça e apregoaste com teus lábios a minha aliança, tu que odiavas o jugo dos preceitos e rejeitavas as minhas palavras? Tu que notavas o argueiro nos olhos de teu irmão e não vias a trave nos teus?

12.01/13.05/12.09

Não faça o abade distinção de pessoas no mosteiro. Não seja um mais amado do que outro, a não ser quem ele reconhecer como mais adiantado nas boas obras e na obediência. Não seja o homem livre preferido ao de condição servil, senão quando houver para isso motivo razoável. Se tal distinção parecer ao abade de acordo com as exigências da justiça, use dela a respeito de qualquer pessoa, seja qual for a sua condição; do contrário, guarde cada um o seu próprio lugar, visto como, escravos ou livres, somos todos um em Cristo e desempenhamos igual serviço na milícia do mesmo Senhor, pois não há acepção de pessoas diante de Deus. Somente somos distinguidos por ele quando nos acha preferíveis aos outros nas boas obras e na humildade. Tenha, pois, o abade igual caridade para com todos; haja a mesma disciplina para todos, segundo os méritos de cada um.

13.01/14.05/13.09

Por outro lado, nos seus ensinamentos o abade deve sempre observar a norma do Apóstolo, quando diz: Repreende, exorta, ameaça. Assim, há de variar a maneira de proceder conforme a ocasião e as circunstâncias, unindo o rigor à brandura, manifestando severidade de mestre e ternura de pai. Repreenderá mais rigidamente os indisciplinados e turbulentos; enquanto aos dóceis, mansos e pacientes, bastará aconselhar a fazer novos progressos. Aos negligentes, porém, ou desdenhosos, exortamo-lo a repreendê-los e castigá-los. Não dissimule as faltas dos delinqüentes; mas esforce-se, quanto estiver em seu poder, por destruí-las pela raiz logo desde o começo, recordando-se da desgraça de Heli, sacerdote de Silo. Quanto aos mais disciplinados e de boa índole, repreenda-os uma ou duas vezes por palavras; porém, aos maus, duros, soberbos e desobedientes, reprima-os com varadas ou por meio de outros castigos corporais, apenas comecem a proceder mal, sabendo que está escrito: O estulto não se emenda com palavras . E em outro lugar: Castiga teu filho com açoites e livrarás da morte a sua alma.

14.01/15.05/14.09

Nunca se deverá esquecer o abade do que é e do nome que possui. Saiba que mais se exige daquele a quem mais se confia. Considere também quão árduo e difícil é o encargo que recebeu de guiar as almas e servir aos diversos temperamentos. A um, é preciso levá-lo com carinho, a outro por meio de censuras e a um terceiro pela persuasão. Deve, portanto, conformar-se e adaptar-se às disposições e ao entendimento de cada um, de sorte que não sofra prejuízo no rebanho confiado a seus cuidados, mas antes se regozije com o seu aumento e progresso na virtude.

15.01/16.05/15.09

Antes de tudo não negligencie ou menospreze a salvação das almas a seu cargo, tratando com mais solicitude dos interesses transitórios, terrenos e caducos, mas sempre considere que recebeu o encargo de guiar almas, das quais terá de dar conta. E para não lhe servir de desculpa a insuficiência de recursos, lembre-se do que está escrito: Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será concedido por acréscimo. E ainda: Nada falta aos que o temem. Saiba que deve preparar-se para prestar conta das almas quem se encarregou de dirigi-Ias. Lembre-se de que, seja qual for o número dos irmãos ao seu cuidado, há de responder ao Senhor pelas almas de todos no dia do juízo e ainda sem dúvida pela sua própria. Portanto, temendo sempre o futuro exame do pastor sobre as ovelhas que lhe foram confiadas, essas contas que deverá prestar de outrem, o tornarão solícito a respeito de si mesmo. E enquanto, com suas admoestações, proporciona correção a outrem, ele próprio conseguirá emendar-se de seus defeitos.

Capítulo 3

16.01/17.05/16.09

Como Chamar Os Monges A Conselho
Todas as vezes que no mosteiro houver algum assunto de importância a tratar, o abade convoca toda a comunidade e expõe o assunto em questão; tendo ouvido a opinião dos irmãos, considere consigo mesmo e faça o que julgar mais acertado. motivo de ordenarmos serem todos chamados ao conselho é porque muitas vezes Deus revela ao mais jovem o que é melhor. Irmãos dêem sua opinião com toda submissão e humildade, e não presumam sustentar com arrogância a sua opinião: a decisão dependerá do julgamento do abade, de forma que todos se submetam ao que ele julgar mais salutar. No entanto, como aos discípulos convém obedecer ao mestre, é preciso também que este disponha tudo com prudência e justiça.

17.01/18.05/17.09

Todos sigam portanto em tudo a Regra como mestra e ninguém temerariamente dela se afaste. Ninguém siga no mosteiro a vontade do próprio coração, nem tenha a presunção de discutir com o seu abade insolentemente dentro ou fora do mosteiro. Se alguém tiver tal ousadia, seja submetido à disciplina regular. O abade, porém, faça todas as coisas com temor de Deus e de acordo com a Regra, sabendo que sem dúvida dará conta a Deus, retíssimo juiz, de todas as suas decisões. Mas, quando se tratar de assuntos de menor importância para o bem do mosteiro, o abade consulte somente os antigos, conforme está escrito: Nada faças sem conselho e depois de o haveres feito não te arrependerás.

Capítulo 4

18.01 /19.05/18.09

Os Instrumentos das Boas Obras

  • Em primeiro lugar, amar a Deus de todo o coração, toda a alma e com todas as forças.
  • Em seguida, amar o próximo como a si mesmo.
  • Depois, não matar.
  • Não cometer adultério.
  • Não furtar.
  • Não cobiçar.
  • Não levantar falso testemunho.
  • Honrar todos os homens.
  • Não fazer a outrem o que não se quer para si.
  • Renunciar a si mesmo para seguir a Cristo.
  • Castigar o corpo.
  • Não procurar as delícias.
  • Amar o jejum.
  • Reconfortar os pobres.
  • Vestir os nus.
  • Visitar os enfermos.
  • Enterrar os mortos.
  • Socorrer os atribulados.
  • Consolar os aflitos.
  • Afastar-se dos costumes do mundo.
  • Nada preferir ao amor de Cristo.

19.01 / 20.05 / 19.09

  • Não satisfazer a cólera.
  • Não aguardar tempo para vingança.
  • Não guardar falsidade no coração.
  • Não conceder paz simulada.
  • Não negligenciar a caridade.
  • Não jurar para não ser perjuro.
  • Dizer a verdade de coração e de boca.
  • Não pagar o mal com o mal.
  • A ninguém fazer injustiça, mas suportar com paciência a que lhe for feita.
  • Amar os inimigos.
  • Não amaldiçoar os que o amaldiçoam; mas, ao contrário, abençoá-los.
  • Sofrer perseguição pela justiça.
  • Não ser soberbo.
  • Não ser dado à bebida.
  • Não ser voraz.
  • Não ter apego ao sono.
  • Não ser preguiçoso.
  • Sem murmurador.
  • Nem detrator.
  • Pôr em Deus sua esperança.
  • O que encontrar de bom em sua pessoa, atribuí-lo a Deus e não a si mesmo.
  • Quanto ao mal, saber que é obra sua e a si mesmo atribuí-lo.

20.01 / 21.05 / 20.09

  • Temer o dia do juízo.
  • Ter pavor do inferno.
  • Desejar a vida eterna com todo o ardor de sua alma.
  • Ter todos os dias a morte presente diante dos olhos.
  • Velai a todo momento pelos atos de sua vida.
  • Ter como certo que Deus nos vê em todo lugar.
  • Quanto aos maus pensamentos que invadem a alma, destruí-los imediatamente de encontro ao Cristo e manifestá-los ao pai espiritual.
  • Preservar a boca de qualquer assunto mau ou pernicioso.
  • Não gostar de falar muito.
  • Não pronunciar palavras inúteis ou que só provoquem risos.
  • Não gostar dos risos freqüentes ou ruidosos.
  • Ouvir com satisfação as santas leituras.
  • Entregar-se freqüentemente à oração.
  • Confessar todos os dias a Deus, nas suas preces, com lágrimas e gemidos, as faltas da vida passada.
  • e emendar-se daí em diante.
  • Não satisfazer os desejos da carne.
  • Odiar a sua vontade própria.
  • Obedecer em tudo às ordens do abade, ainda mesmo que ele proceda de outra forma (o que Deus não permita), recordando-se do que ordena o Senhor: Fazei o que eles dizem e não o que eles fazem.
  • Não querer passar por santo antes de o ser, mas sê-lo primeiramente para que o digam com mais verdade.

21.01 / 22.05 / 21.09

  • Cumprir todos os dias por meio de obras os preceitos de Deus.
  • Amar a castidade.
  • A ninguém odiar.
  • Não ter ciúme.
  • Não exercer a inveja.
  • Ser inimigo de contestar.
  • Fugir da altivez.
  • Venerar os anciãos.
  • Amar os mais moços.
  • Orar pelos inimigos por amor de Cristo.
  • Reconciliar-se antes de anoitecer com os seus contraditores.
  • Nunca desesperar da misericórdia de Deus.
  • Estes são os instrumentos da arte espiritual.
  • Se os cumprirmos dia e noite, sem interrupção, e os apresentarmos no dia do juízo, Deus nos recompensará com aquele prêmio por ele mesmo prometido.
  • Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, o que Deus preparou para aqueles que o amam.
  • A oficina onde devemos trabalhar diligentemente com o auxílio desses instrumentos, é o claustro do mosteiro e a estabilidade na comunidade.

Capítulo 5

22.01 / 23.05 / 22.09

A Obediência Dos Discípulos
O primeiro grau da humildade é a obediência sem demora. Esta é própria daqueles que não amando coisa alguma acima de Jesus Cristo, movidos pelo pensamento do serviço santo a que se dedicaram, pelo temor do inferno e pela glória da vida eterna, logo que o superior lhes ordena alguma coisa, como se a ordenasse o próprio Deus, não demoram em executá-la. A esses aplica-se a palavra do Senhor: Logo que ouviu a minha voz obedeceu-me. Disse ele também aos que ensinam: Aquele que vos ouve a mim ouve. Esses portanto, abandonando imediatamente seus interesses e renunciando à própria vontade, deixam no mesmo instante por acabar o que tinham entre as mãos e, com o passo pronto a obedecer, seguem com obras a voz do que ordena; e como que num só momento, com a prontidão inspirada pelo temor de Deus, coincidem a ordem dada pelo mestre e a perfeita execução do discípulo. A estes o amor impulsiona a subir para a vida eterna, por isso seguem o caminho estreito do qual disse o Senhor: Estreito é o caminho que conduz à vida. E não vivendo ao seu arbítrio nem obedecendo a seus desejos e apetites, caminham sob a direção e ordens de outrem e desejam habitar no mosteiro sujeitos ao abade. Esses sem dúvida seguem a palavra do Senhor quando diz: Não vim fazer a minha vontade e sim a daquele que me enviou.

23.01 / 24.05 / 23.09

Todavia essa obediência não será agradável a Deus nem suave para os homens, se a ordem não for executada sem hesitação nem demora, sem tibieza, murmuração ou palavra de resistência, pois a obediência que se tributa aos superiores dirige-se a Deus, conforme ele mesmo disse: Aquele que vos ouve, a mim ouve. Também é necessário que os discípulos prestem a obediência de boa vontade, porquanto Deus ama aquele que dá com alegria. Mas, se o discípulo obedece de má vontade e murmura, ainda que não o faça com os lábios mas somente no coração, esmo cumprindo a ordem recebida, já não será agradável a Deus, que vê o coração de quem murmura. Longe de obte qualquer graça pelo seu procedimento, incorre antes na pena dos murmuradores, se com reparação não se emendar.

Capítulo 6

24/01 / 25/05 / 24.09

O Espírito De Silêncio
Façamos o que diz o Profeta: Disse: observarei os meus caminhos para não pecar pela língua; pus guarda em minha boca; emudeci, humilhei-me e silenciei até as coisas boas. Nestas palavras mostra-nos o profeta que, se devemos algumas vezes abster-nos de conversações boas por causa do silêncio, com maior razão devemos evitar as más palavras pelo temor do castigo que acompanha o pecado. Por conseguinte, raras vezes se deve conceder, até aos discípulos perfeitos, licença para entreterem conversações, embora sobre assuntos bons, santos e edificantes, tão importante é o silêncio; porquanto está escrito: Falando muito não evitarás o pecado. E em outro lugar: A morte e a vida estão em poder da língua. Ao mestre, portanto, convém falar e instruir; ao discípulo compete calar e ouvir. Neste caso, se houver necessidade de perguntar alguma coisa ao superior deve-se fazê-lo com toda a humildade, submissão e respeito para que não se fale mais do que convém. Quanto às brincadeiras, às palavras inúteis e que só servem para provocar o riso, condenamo-las para sempre e em qualquer lugar, não permitindo ao discípulo abrir a boca para tais palavras.

Capítulo 7

25.01 / 26.05 / 25.09

A Humildade
A Escritura divina, meus irmãos, nos faz ouvir este clamor: Todo aquele que se eleva será humilhado e quem se humilha será exaltado. Assim falando, demonstra-nos que toda altivez é uma espécie de orgulho, do qual mostra o Profeta precaver-se dizendo: Senhor, o meu coração não se exaltou nem os meus olhos se exaltou nem os meus olhos se elevaram; tampouco andei ocupado em grandezas ou busquei maravilhas acima de mim. Que aconteceria se não nutrisse humildes sentimentos, se exaltasse a minha alma? Seria tratado como a criancinha arrancada do seio de sua mãe. Assim, irmãos, se desejamos atingir o cume da suprema humildade e alcançar em pouco tempo aquela elevação celestial à qual se sobe pela humildade da vida presente, é preciso por meio de atos sempre ascendentes, erigir qual desciam e subiam os anjos. Esta descida e subida significam, sem dúvida, para nós, que pela exaltação se desce e pela humildade se sobe. A escada erguida representa a nossa vida mortal, que o Senhor eleva até ao céu, se o nosso coração se humilha. Os dois lados desta escada para nós são o nosso corpo e a nossa alma; o chamado de Deus, nela dispôs vários degraus de humildade e disciplina por onde devemos subir.

26.01 / 27.05 / 26.09

O primeiro degrau da humildade consiste portanto em que tendo sempre diante dos olhos o temor de Deus, fujamos absolutamente do esquecimento e sempre nos lembremos de tudo quanto Deus ordenou, repassando constantemente no espírito o inferno onde caem os que desprezam a Deus e a vida eterna preparada para os que O temem, abstendo-nos por esse meio a todo momento dos pecados e vícios da língua, dos olhos, das mãos, dos pés e da vontade própria, como também das inclinações da carne.

27.01 / 28.05 / 27.09

O homem deve estar sempre compenetrado de que Deus o considera sem cessar do alto do céu; que os olhos da majestade divina contemplam em qualquer parte as suas ações e os santos anjos a todo instante as transmitem a Deus. É o que o Profeta nos faz ver, quando mostra Deus sempre presente aos nossos pensamentos dizendo: Deus perscruta os corações e os rins. E ainda: O Senhor sabe que os pensamentos dos homens são vãos. Diz também: De longe conhecestes os meus pensamentos. E: O pensamento do homem vos será manifesto. O irmão fiel à sua vocação deve dizer sempre no coração, para se precaver dos pensamentos perversos: Só estarei puro na presença de Deus, se me preservar da minha iniqüidade.

28.01 / 29.05 / 28.09

No que toca à nossa própria vontade, a Escritura proíbe-nos expressamente segui-Ia, dizendo: Renuncia à tua própria vontade. E também pedimos a Deus na oração que a sua vontade se faça em nós. E com razão somos advertidos a não fazer a nossa vontade, evitando por esse meio o perigo assinalado na Sagrada Escritura: Caminhos há que aos homens parecem retos, mas cujo fim vai ter às profundezas do inferno, e nos livramos também do que foi dito sobre os negligentes: Corromperam-se e fizeram-se abomináveis, seguindo a sua vontade. Quanto aos desejos da carne, fiquemos certos de que Deus está sempre presente, segundo diz o Profeta ao Senhor: Todo o meu desejo, Senhor, está diante de vós.

29.01 / 30.05 / 29.09

Devemos, pois, acautelar-nos contra os maus desejos, porquanto a morte está colocada no início do prazer. Por esse motivo a Escritura ordena: Não te deixes levar pelos teus próprios apetites. Por conseguinte, se os olhos do Senhor observam os bons e os maus e o Senhor contempla sem cessar, lá do céu, os filhos dos homens para verse há quem conheça e busque a Deus, e se os anjos destinados a guardar-nos, quer de dia, quer de noite, dão conta de todas as nossas ações a Deus nosso Criador e Senhor de tudo quanto existe, é preciso acautelar-nos sempre a fim de que, segundo diz o profeta no salmo, Deus não nos surpreenda no momento em que declinarmos para o mal e nos tornarmos inúteis; de forma que, usando de indulgência para conosco neste mundo, (por ser benigno e esperar que nos convertamos), não nos venha a dizer mais tarde: Fizestes isto e calei-me.

30.01 / 31.05 / 30.09

O segundo degrau da humildade consiste em que não amando a sua vontade própria, não se deleite o monge em cumprir os seus desejos, antes imite com suas obras a voz do Senhor que diz: Não vim cumprira minha vontade e sim a dAquele que me enviou. Diz também a Escritura: A vontade própria leva ao castigo e a necessidade de obedecer alcança a coroa.

31.01 / 01.06 / 01.10

0 terceiro degrau da humildade consiste em sujeitar-se pelo amor de Deus ao superior com inteira obediência, a exemplo do Senhor de quem diz o Apóstolo: Fez-se obediente até à morte.

01.02 02.06 / 02.10

O quarto degrau da humildade consiste em que, no exercício desta obediência, abrace o monge a paciência, guardando intimamente o silêncio, nas coisas duras e adversas, mesmo no meio de toda espécie de injúrias, suportando tudo sem desanimar nem recuar, pois diz a Escritura: O que perseverar até o fim, esse será salvo. E também: Que o teu coração permaneça firme e saiba esperar pelo Senhor. E querendo mostrar que o fiel deve suportar pelo Senhor todas as coisas mesmo as adversas, diz na pessoa dos que sofrem: É por vós Senhor, que estamos entregues à morte durante todo o dia; somos considerados como ovelhas destinadas ao corte. E seguros com a esperança da recompensa divina, prosseguem contentes, dizendo: Mas em todas essas coisas alcançamos a vitória por causa dAquele que nos amou. Também diz em outro ponto a Escritura: Experimentastes-nos, ó Deus; provastes-nos pelo fogo como a prata pelo cadinho; fizestes-nos cair na rede e amontoastes sobre os nossos ombros tribulações. E para manifestar que devemos estar sujeitos à obediência de um superior, acrescenta: Impusestes homens sobre as nossas cabeças. E observando, pela paciência nas adversidades e injúrias, o preceito do Senhor, se lhes batem numa face, oferecem a outra; se lhes tiram a túnica, dão também a capa; forçados a andarem uma milha, caminham duas. Com o Apóstolo São Paulo suportam os falsos irmãos e a perseguição; abençoam os que os amaldiçoam.

02.02 / 03.06 / 03.10

O quinto degrau da humildade é manifestar ao seu abade, por meio de humilde confissão, todos os pensamentos maus que invadem o coração e as faltas que se houverem cometido em segredo. A Escritura a isso nos aconselha quando diz: Manifesta ao Senhor teu procedimento e nele espera. Também diz: Confessai ao Senhor, porque ele é bom, e infinita a sua misericórdia. E ainda o Profeta: Eu vos declarei, Senhor, o meu pecado e não vos encobri as minhas faltas. Disse: Manifestarei ao Senhor, contra mim próprio, as minhas faltas; e perdoastes, Senhor, a impiedade de meu coração.

03.02 / 04.06 / 04.10

O sexto degrau da humildade consiste em que o monge se contente com todas as coisas vis e humildes, e para tudo quanto se lhe ordena se considere operário mau e indigno, exclamando com o Profeta: Estou reduzido a nada e nada sei; tornei-me em vossa presença como um animal de carga, mas estou sempre convosco.

04.02 / 05.06 / 05.10

O sétimo degrau da humildade é declarar não só pelos próprios lábios, ser o último e o mais desprezível de todos, mas também assim o crer no íntimo pulsar do coração, humilhando-se e dizendo com o profeta: Quanto a mim, sou um verme e não um homem. Sou o opróbrio dos homens e o rebutalho da plebe. Logo que me exaltei, fui humilhado e confundido. E ainda: Bom foi, Senhor, que me humilhásseis, para eu aprender a observar os vossos preceitos.

05.02 / 06.06 / 06.10

O oitavo degrau da humildade consiste em que o monge nada faça senão o que ensina a regra comum do mosteiro e o exemplo dos mais antigos.

06.02 / 07.06 / 07.10

O nono degrau da humildade consiste em que o monge reprima a sua língua, guardando o silêncio; não fale sem ser interrogado uma vez que nos ensina a Escritura: Falando muito não se evita o pecado. E: O homem falador não trilha bom caminho na terra.

07.02 / 08.06 / 08.10

O décimo degrau da humildade consiste em não ser o monge propenso e fácil ao riso, porquanto está escrito: O insensato levanta a voz quando ri.

08.02 / 09.06 / 09.10

O undécimo degrau da humildade consiste em que o monge, ao falar, faça-o com doçura e sem gracejar, humildemente e com dignidade, pronunciando poucas e razoáveis palavras, sem levantar a voz, porque está escrito: Reconhece-se o homem sensato pela sobriedade da sua linguagem.

09.02/10.06/10.10

O duodécimo degrau da humildade consiste em que o monge, não só no coração mas igualmente no seu próprio corpo, manifeste sempre a humildade a todos os que o vêem, isto é, no trabalho, no oratório, no mosteiro, no jardim, em viagem, nos campos, em toda parte, quer esteja sentado, em pé ou caminhando, tenha sempre a cabeça inclinada, os olhos cravados no chão, sentindo-se a todo instante carregado de pecados, como no momento de comparecer perante o tremendo juízo de Deus; repita continuamente no seu coração o que dizia o publicano do Evangelho com os olhos fitos no chão: Um pecador como eu, Senhor, não é digno de erguer os olhos para o céu. E também com o Profeta: Inclinei-me e humilhei-me inteiramente. Quando o monge houver subido todos estes degraus da humildade, chegará em breve a essa caridade de Deus, que, sendo perfeita, expulsa o temor, e, graças a ela, tudo o que antes observava com sentimento de terror, observará de então em diante sem esforço algum, como que naturalmente e por hábito adquirido, não mais por medo do inferno e sim por amor de Cristo, pelo bom costume e pelo deleite próprio das virtudes. Eis o que o Senhor se dignará manifestar pelo Espírito Santo no seu operário purificado dos vícios e pecados.

Capítulo 8

10.02 / 11.06 / 11.10

Os Ofícios Divinos Durante a Noite
No tempo de inverno, isto é, desde primeiro de novembro até a Páscoa, levantarão os monges se levantam à oitava hora da noite, como é razoável, de modo que descansem um pouco mais da metade da noite e se levantem bem dispostos. O tempo que resta após as Vigílias, será empregado no estudo do saltério ou das leituras, pelos que tiverem necessidade. Desde a Páscoa até o referido primeiro de novembro, será regulada de tal forma a hora das Vigílias que, após brevíssimo intervalo, durante o qual os monges poderão sair para as necessidades naturais, se comecem logo as Laudes, que devem ser ditas ao romper do dia.

Capítulo 9

11.02 / 12.06 / 12.10

Quantos Salmos Se Receitam Nas Horas Noturnas
Em tempo de inverno, que acabamos de definir, diga-se em primeiro lugar três vezes o versículo: Senhor, abri os meus lábios e cantarei vosso louvor! acrescentando-se o salmo terceiro e o Glória. Em seguida o salmo nonagésimo quarto, com antífona, ou pelo menos cantado. Segue-se o hino e seis salmos com antífonas. Logo depois, dito o versículo, o Abade dará a bênção e, estando todos sentados nos bancos, os monges lerão, cada um por sua vez, três leituras do livro colocado na estante, cantando depois de cada uma um responsório. Dois responsórios serão ditos sem Glória; mas ao terminar a terceira lição, aquele que a cantar dirá o Glória. Ao entoá-lo o cantor, todos se erguerão logo dos seus lugares, em honra e reverência à Santíssima Trindade. Leiam-se, nas Vigílias, os livros de autoridade divina, quer do Antigo quer do Novo Testamento, bem como as exposições que sobre eles fizeram os mais célebres e ortodoxos Padres católicos. A essas três leituras com seus responsórios seguem-se os seis salmos restantes que se cantarão com "Aleluia". Depois destes, uma lição do Apóstolo, que se dirá de cor; em seguida o versículo e a súplica da ladainha, isto é, "Kyrie eleison"; e deste modo se concluirão as Vigílias da noite.

Capítulo 10

12.02 / 13.06 / 13.10

Como Celebrar o Ofício da Noite no Verão
Desde a Páscoa até primeiro de novembro, será conservado o mesmo número de salmos acima dito; não se lerão, porém, leituras no livro por causa da brevidade das noites; em lugar dessas três leituras, diga-se uma de cor, do Antigo Testamento, seguida de um responsório breve. Quanto ao resto cumpra-se o que foi disposto, isto é, nunca se recitem menos de doze salmos nas Vigílias da noite, sem contar o terceiro e o nonagésimo quarto.

 

 

Capítulo 11

13.02 / 14.06 / 14.10

COMO CELEBRAR AS VIGÍLIAS AOS DOMINGOS
Aos domingos levante-se mais cedo para as Vigílias. Nestas Vigílias se observará a medida indicada acima, isto é, depois de cantados os seis salmos e o versículo, como acabamos de dispor, sentados todos nos bancos, na respectiva ordem, lêem-se no livro quatro leituras com seus responsórios. Só no quarto responsório o que canta dirá o Glória, levantando-se todos com reverência logo que ele começar. Depois destas lições, seguem-se por ordem seis outros salmos com antífonas e o versículo como os precedentes. Depois lêem-se ainda outras quatro leituras com seus responsórios, na ordem acima. Dizem-se em seguida três cânticos dos Profetas, determinados pelo Abade; estes cânticos serão salmodiados com "Aleluia". Dito também o versículo e dada a bênção pelo Abade, lêem-se outras quatro leituras do Novo Testamento, na ordem acima. Depois do quarto responsório, entoará o Abade o hino "A vós ó Deus, nós louvamos". Terminado este o Abade lerá o "Evangelho", permanecendo todos de pé, com respeito e temor. No fim responderão todos: "Amém". Dirá logo o Abade o hino "A vós ó Deus, o louvor" e, dada a bênção, começarão as Laudes. Esta ordem será observada nas Vigílias dos domingo em qualquer estação, quer no inverno quer no verão. A não ser que, por se levantarem mais tarde (o que Deus não permita), se torne necessário diminuir algo das leituras ou dos responsórios. Tenha-se, porém, o máximo cuidado para que isto não aconteça. Se entretanto acontecer, aquele que o tiver ocasionado por sua negligência deverá dar conveniente satisfação a Deus no oratório.

Capítulo 12

14.02 / 15.06 / 15.10

COMO CELEBRAR A SOLENIDADE DAS LAUDES
Aos domingos, diga-se nas Laudes em primeiro lugar o salmo sessenta e seis sem antífona em tom direto. Em seguida o cinqüenta com "Aleluia". Depois o cento e dezessete e o sessenta e dois. Logo após, o cântico das bênçãos e o salmo de louvor, a lição do Apocalipse de cor, o responsório, o hino, o versículo, o cântico do Evangelho, a ladainha, e está terminado.

Capítulo 13

15.02 / 16.06 / 16.10

COMO CELEBRAR AS LAUDES NOS DIAS DA SEMANA
Nos dias da semana, o Ofício das Laudes será celebrado do seguinte modo: Diga-se primeiramente o salmo sessenta e seis sem antífona, em tom direto, como no domingo e um tanto lentamente, a fim de que todos cheguem a tempo de alcançar o cinqüenta que se dirá com antífona. Depois deste salmo serão ditos outros dois, como de costume, a saber: à segunda-feira, o cinco e o trinta e cinco; à terça-feira, o quarenta e dois e o cinqüenta e seis; à quarta-feira, o sessenta e três e o sessenta e quatro; à quinta-feira, o oitenta e sete e o oitenta e nove; à sexta-feira, o setenta e cinco e o noventa e um; ao sábado, o cento e quarenta e dois e o cântico do Deuteronômio, que deve ser dividido em dois glórias. Nos outros dias, diga-se o cântico próprio do dia, tirado dos Profetas, como os canta a Igreja Romana. Virão em seguida o salmo de louvor, depois a lição do Apóstolo recitada de cor, o responsório, o hino, o versículo, o cântico do Evangelho, a ladainha e está terminado.

16.02 / 17.06 / 17.10

O ofício da manhã e o da noite nunca deverão concluir sem que o superior diga, em último lugar e de maneira a ser ouvido por todos, a oração do Pai nosso, por causa dos espinhos de disputas que costumam surgir. Assim advertidos pelo compromisso feito nessa oração, quando dizem: "perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido", se purificam de semelhante vício. Nos outros ofícios só se dirá em voz alta a última parte desta oração, de forma que todos respondam juntos: "Mas livrai-nos do mal".

Capítulo 14

17.02 / 18.06 / 18.10

COMO CELEBRAR AS VIGÍLIAS NAS FESTAS DOS SANTOS
Nas festas dos santos e em todas as solenidades, celebra-se este Ofício como dispusemos para o domingo, excetuando os salmos, antífonas e leituras pertencentes ao dia. Observe-se porém, a medida anteriormente indicada.

Capítulo 15

18.02 / 19.06 / 19.10

EM QUE TEMPO DIZER O ALELUIA
Desde a santa Páscoa até Pentecostes, sempre se dirá o Aleluia, tanto nos salmos como nos responsórios. Desde Pentecostes até ao começo da Quaresma, deverá ser dito todas as noites somente nos seis últimos salmos dos noturnos. Em todos os domingo (exceto os da Quaresma) são ditos com Aleluia os cânticos, as Laudes, Prima, Terça, Sexta e Noa. As Vésperas serão ditas com antífonas. Quanto aos responsórios, nunca se dirão com Aleluia, a não ser desde a Páscoa até Pentecostes.

Capítulo 16

19.02 / 20.06 / 20.10

COMO CELEBRAR OS OFÍCIOS DIVINOS DURANTE O DIA
Como disse o Profeta: "Sete vezes por dia cantei os vossos louvores". Cumpriremos também nós este número sagrado de sete, se à Hora de Laudes, Prima, Terça, Sexta, Noa, Vésperas e Completas, pagarmos o tributo do nosso serviço, porque o Profeta, falando destas Horas do dia, disse: "Louvei-vos sete vezes por dia". Assim também, referindo-se às Vigílias das noites, disse: "Erguia-me pelo meio da noite para louvar-vos". Ofereçamos, pois, nesses mesmos momentos, os nossos louvores ao Criador pelas decisões da sua justiça, isto é, em Laudes, Prima, Terça, Sexta, Noa, Vésperas e Completas, e durante a noite, levantemo-nos para louvá-lo.

Capítulo 17

20.02 / 21.06 / 21.10

QUANTOS SALMOS DIZER NESSAS MESMAS HORAS
Dispusemos já a ordem da salmodia para as Vigílias e as Laudes. Vejamos agora as outras Horas. À Hora de Prima dizem-se três salmos separadamente, cada um com um Glória. O hino desta mesma Hora é dito depois do versículo: "Deus, vinde em nosso auxílio" e antes de começar os salmos. Acabados os três salmos, recita-se uma leitura, um versículo, "Kyrie eleison", e as preces finais. À Hora de Terça, Sexta e Noa é celebrado o Ofício na mesma ordem, isto é, o versículo, os hinos destas Horas, três salmos, uma leitura breve, um versículo, "Kyrie eleison" e as preces finais. Se a comunidade for numerosa, os salmos são ditos com antífonas; se não o for, serão em tom direto. O Ofício de Vésperas constará de quatro salmos, com suas antífonas, seguidos de uma leitura breve; depois do responsório, o hino, o versículo, o cântico do Evangelho, a ladainha, a oração do Pai nosso e as preces finais. As Completas consistem na recitação de três salmos. Estes três salmos devem ser ditos em tom direto sem antífonas. Em seguida, o hino desta Hora, uma leitura breve, o versículo, o "Kyrie eleison", a bênção e a conclusão.

Capítulo 18

21.02 / 22.06 / 22.10

EM QUE ORDEM DIZER OS SALMOS
Em primeiro lugar será dito o versículo: "Deus, vinde em meu auxílio; Senhor, apressai-vos em me socorrer", o Glória, depois o hino de cada Hora. Em seguida, no domingo, por ocasião da Prima, dizem-se quatro divisões do salmo cento e dezoito. Nas outras Horas, isto é, na Terça, Sexta e Noa dizem-se três outras divisões do mesmo salmo. Na Prima da segunda-feira, serão ditos três salmos, a saber: o primeiro, o segundo e o sexto; e assim cada dia, até ao domingo dizem-se em Prima três salmos por ordem até o dezenove, mas os salmos nove e dezessete são divididos em dois Glórias. Assim nas Vigílias do domingo se começará sempre pelo vinte. À Terça, Sexta e Noa da segunda-feira, serão ditas as nove divisões restantes do salmo cento e dezoito, distribuídas três a três nessas mesmas Horas. Terminado assim nestes dois dias o salmo centro e dezoito, a saber: no domingo e segunda-feira, serão cantados na terça-feira também três salmos por ocasião de Terça, Sexta e Noa, desde o cento e dezenove até ao cento e vinte e sete, isto é, nove salmos, os quais serão diariamente repetidos às mesmas Horas até ao domingo, guardando-se todos os dias a uniformidade na disposição estabelecida para os hinos, as leituras e versículos, de modo que no domingo sempre se comece pelo salmo cento e dezoito.

23.02 / 24.06 / 24.10

Nas Vésperas serão cantados todos os dias quatro salmos com modulação, a começar do cento e nove até ao cento e quarenta e sete, excetuando aqueles que estão reservados para outras Horas, isto é, desde o cento e dezessete até ao cento e vinte e sete, e além destes o cento e trinta e três e o cento e quarenta e dois. Todos os outros deverão ser ditos nas Vésperas. Mas, como há três salmos a menos, serão divididos aqueles que no referido número forem mais extensos, a saber: o cento e trinta e oito, o cento e quarenta e três e o cento e quarenta e quatro. Quanto ao cento e dezesseis deverá unir-se ao cento e quinze, visto ser curto. Estabelecida, portanto, a ordem dos salmos das Vésperas, o mais, isto é, a leitura, o responsório, o hino e o cântico, serão ditos do modo que acima determinamos. Nas Completas, serão repetidos todos os dias os mesmos salmos, a saber: o quarto, o noventa e o cento e trinta e três.

24.02(se for ano bissexto) / 25.06 / 25.10

Disposta assim a salmodia diurna, todos os outros salmos restantes serão igualmente distribuídos pelas sete Vigílias noturnas da semana, de forma que os mais extensos sejam divididos e haja doze para cada noite. Advertimos antes de tudo que, se a alguém desagradar esta distribuição dos salmos, estabeleça, se julgar melhor, outra disposição, contanto que de qualquer modo cuide-se de recitar todas as semanas integralmente o saltério de cento e cinqüenta salmos e seja ele sempre recomeçado nas Vigílias do domingo; realmente, os monges que durante o espaço de uma semana dissessem menos do que o saltério com os cânticos comuns, dariam prova de muito pouco zelo e devoção no serviço divino; porquanto lemos que os nossos santos Pais desempenhavam essa tarefa resolutamente num só dia. Em nossa fraqueza possamos nós cumpri-la uma vez por semana.

Capítulo 19

24 (25). 02 / 26.06 / 26.10

O MODO DE SALMODIAR
Cremos que Deus esta presente em toda parte e em qualquer lugar seus olhos contemplam os bons e os maus; mas estejamos sem dúvida alguma convictos de que assim é, sobretudo quando estamos presentes no Ofício Divino. Recordemo-nos, portanto, sem cessar do que diz o Profeta: "Servi o Senhor com temor". E ainda: Salmodiai sabiamente. E "Cantar-vos-ei em presença dos anjos". Consideremos, pois, como devemos permanecer na presença da divindade e de seus anjos e estejamos de pé a salmodiar de tal maneira que nosso espírito concorde com nossa voz.

Capítulo 20

25 (26). 02 / 27.06 / 27.10

A REVERÊNCIA NA ORAÇÃO
Se quando temos de solicitar alguma coisa dos homens poderosos, só com humildade e respeito ousamos fazê-lo, com quanto maior razão devemos nós oferecer as nossas súplicas com toda a humildade e pureza de devoção ao Senhor Deus do universo! E saibamos que não é pela multiplicidade de palavras que seremos atendidos e sim pela pureza do coração e pelas lágrimas da compunção. A prece, portanto, deve ser curta e pura, a não ser que a graça da inspiração divina nos leve pela afeição a prolongá-la. Todavia, em comunidade, abrevie-se a oração e, dado o sinal pelo superior, levantem-se todos juntos.

 

 

Capítulo 21

26(27). 02 / 28.06 / 28.10

OS DECANOS DO MOSTEIRO
Se a comunidade for numerosa, escolham-se entre os irmãos alguns de boa fama e de vida monástica santa, que serão nomeados decanos. Cuidem com solicitude de suas decanias, em tudo, de acordo com os preceitos de Deus e as ordens do abade. E só deverão ser escolhidos para decanos aqueles com quem o abade possa com segurança partilhar o seu fardo; não serão eleitos segundo a ordem que ocuparem, mas pelo mérito da vida e sabedoria da doutrina. Se acontecer que algum deles, enchendo-se de orgulho, se mostre merecedor de repreensão, deverá ser censurado uma, duas e até três vezes. Se não quiser emendar-se, será deposto e substituído por outro que seja digno. Estabelecemos que se proceda do mesmo modo para com o prior.

Capítulo 22

27 (28). 02 / 29.06 / 29.10

COMO DORMEM OS MONGES
Cada um dormirá num leito separado. O leito e todos os acessórios serão concedidos a cada um de acordo com a vida monástica e segundo as ordens do abade. Se possível, durmam todos no mesmo lugar; mas, se o grande número não permitir, descansarão em grupo de dez ou vinte, tendo para velar por eles os seus anciãos. Uma luz iluminará o dormitório sem interrupção até de manhã. Os monges dormirão vestidos, cingidos com suas correias ou cordões, a fim de estarem sempre prontos; mas não terão faca ao lado para que não se firam durante o sono. Ao sinal dado, levantarão sem demora e se apressarão em antecipar-se uns aos outros no Ofício Divino, mas com toda seriedade e modéstia. Os monges mais moços não terão as camas perto umas das outras e sim colocadas entre as dos mais velhos. Ao levantarem-se para o Ofício Divino, chamem-se uns aos outros com moderação, a fim de que não se desculpem os sonolentos.

Capítulo 23

28 (29). 02 / 30.06 / 30.10

A EXCOMUNHÃO PELAS CULPAS
Se houver algum monge teimoso, desobediente, soberbo, murmurador, transgressor habitual de alguns pontos da santa Regra e das ordens dos seus anciãos, mostrando desprezo, seja admoestado primeira e segunda vez em particular pelos mesmos anciãos, segundo o preceito de Nosso Senhor. Se não se emendar, será publicamente repreendido diante de todos. Se ainda assim não se corrigir, seja submetido à excomunhão, contanto que compreenda a gravidade dessa pena. Mas, se for obstinado, receberá o castigo corporal.

Capítulo 24

01.03 / 01.07 / 31.10

QUAL É O MODO DE EXCOMUNHÃO
A medida da excomunhão ou castigo deve ser proporcional à gravidade da culpa. A avaliação das culpas fica a juízo do abade. No entanto, se um irmão cair em faltas mais leves, o seu castigo consistirá apenas na privação da mesa comum. Aquele que for privado da mesa da comunidade será tratado da seguinte forma: no oratório não entoará salmo nem antífona e não fará leitura até que haja dado satisfação. Fará sozinho a sua refeição depois dos irmãos, na quantidade e hora que o abade julgar conveniente para ele; por exemplo, se os irmãos jantarem à hora sexta, jantará ele à hora nona: se os irmãos fizerem a refeição à nona, ele a fará à hora de vésperas, até haver obtido perdão por meio de competente satisfação.

Capítulo 25

02.03 / 02.07 / 01.11

AS CULPAS MAIS GRAVES
O irmão que se tornar culpado de uma falta mais grave, será excluído da mesa comum e do oratório. Nenhum irmão poderá procurá-lo nem para fazer-lhe companhia nem para conversar. Ficará sozinho no trabalho que lhe for designado, permanecendo assim no luto da penitência e recordando esta terrível sentença do Apóstolo que diz: "Este homem foi entregue a satanás para a destruição da carne a fim de que o espírito seja salvo no dia do Senhor". Tomará sozinho a sua refeição na quantidade e na hora que o abade julgar convenientes. Ninguém o abençoará ao passar junto a ele nem o alimento que lhe for dado.

Capítulo 26

03.03 / 03.07 / 02.11

AQUELES QUE SEM ORDEM DO ABADE SE UNEM AOS EXCOMUNGADOS
Se algum irmão, sem haver recebido ordem do abade, ousar, de qualquer forma, unir-se a um irmão excomungado, falar-lhe ou mandar-lhe algum recado, sofrerá a mesma pena de excomunhão.

Capítulo 27

04.03 / 04.07 / 03.11

A SOLICITUDE COM QUE O ABADE DEVE TRATAR OS EXCOMUNGADOS
O abade deve ocupar-se com toda a solicitude dos irmãos que caírem em falta, porque "não têm os sãos necessidade de médico, porém os enfermos". Deve, pois, como sábio médico, empregar todos os meios: enviará simpectas, isto é, irmãos amadurecidos e sábios que reconfortem, como em segredo, o irmão que vacila e o levem a uma humilde satisfação. Principalmente, que eles o consolem a fim de não ser absorvido pelo excesso da tristeza; mas, como diz o Apóstolo, "é preciso que a caridade redobre para com ele e todos por ele rezem. O abade deve portanto empregar toda solicitude em relação aos Irmãos que erram e usar de toda a sua sabedoria e habilidade a fim de não perder alguma das ovelhas confiadas aos seus cuidados. Saiba que recebeu o encargo de dirigir almas fracas e não de exercer sobre as fortes um poder tirânico. Tema a ameaça do Profeta, por intermédio do qual Deus assim se exprime: "tomáveis para vós as ovelhas que vos pareciam gordas e rejeitáveis as débeis". Imite, antes, o exemplo do bom Pastor que, "deixando sobre as montanhas as noventa e nove ovelhas, foi em busca de uma que se desgarrara, e tanto se compadeceu da sua fraqueza que se dignou carregá-la nos seus ombros sagrados e reconduzi-la assim ao rebanho".

Capítulo 28

05.03 / 05.07 / 04.11

OS IRMÃOS QUE MUITAS VEZES CASTIGADOS NÃO SE EMENDAM
Se algum irmão muitas vezes repreendido por qualquer falta e até excomungado não se emendar, é preciso infligir-lhe uma correção mais rigorosa, isto é, usar do açoite. Se ainda assim não se corrigir, ou talvez (o que Deus não permita) cheio de soberba, quiser defender o seu comportamento, o abade deverá agir então como um sábio médico. Depois de haver empregado as fricções, o ungüento das exortações, os remédios da divina Escritura, finalmente a cauterização da excomunhão ou as contusões do açoite, se vir que toda a sua habilidade nada pode obter, deverá empregar o que é mais eficaz: suas preces e as de todos os irmãos, a fim de que o Senhor que tudo pode, dê saúde ao irmão doente. Mas, se este meio não operar a c ura, use logo o abade do instrumento de amputação, segundo as palavras do Apóstolo: "Afastai o mal do meio de vós". E em outro lugar: "Se o infiel se vai embora, que se vá, a fim de não ser todo o rebanho contaminado por uma só ovelha doente".

Capítulo 29

06.03 / 06.07 / 05.11

SE DEVEM SER RECEBIDOS DE NOVO OS IRMÃOS QUE SAÍREM DO MOSTEIRO
Se um irmão por culpa sua sai ou é expulso do mosteiro e deseja voltar, prometerá primeiro corrigir-se inteiramente da falta que causou sua saída. Será então recebido e colocado em ultimo lugar para que assim fique provada a sua humildade. Se tornar a sair será recebido até três vezes. Mas saiba que dali em diante lhe será negada toda possibilidade de regresso.

Capítulo 30

07.03 / 07.07 / 06.11

COMO CORRIGIR OS DE MENOR IDADE
Cada idade e cada entendimento deve ter uma norma de conduta própria. Por conseguinte, quando os meninos, ou os irmãos mais moços, ou mesmo aqueles que são incapazes de compreender a pena de excomunhão, caírem em falta, serão castigados por jejuns rigorosos ou corrigidos por meio de ásperas varas, a fim de serem curados.

 

 

Capítulo 31

08.03 / 08.07 / 07.11

O CELEIREIRO DO MOSTEIRO
Para celeireiro do mosteiro será escolhido na comunidade um irmão sensato, de caráter refletido, sóbrio, moderado na comida, que não seja orgulhoso, turbulento, dado às injúrias, vagaroso, pródigo, mas sim temente a Deus e como que um pai para toda a comunidade. Deverá cuidar de tudo e nada fazer sem ordem do abade. Observe exatamente o que lhe for mandado; não entristeça os irmãos. Se acontecer que um irmão lhe faça um pedido desarrazoado, não o contriste tratando-o com desprezo; mas recuse com humildade e boas razões o que lhe pedirem fora de propósito. Vele com cuidado pela sua alma, lembrando-se sempre da sentença do Apóstolo: "Aquele que administra bem, adquire um grau mais elevado". Tenha toda a solicitude para com os enfermos, meninos, hóspedes e pobres, sabendo com certeza que no dia de juízo deverá dar contas de todos eles. Considere todos os móveis e bens do mosteiro como se fossem vasos sagrados do altar. Não julgue poder negligenciar alguma coisa. Não seja avarento, pródigo ou dissipador dos bens do mosteiro; mas faça tudo com medida e de acordo com as ordens do abade.

09.03 / 09.07 / 08.11

Antes de tudo deverá ser humilde e quando não tiver em seu poder o que lhe pedem, dê ao menos em resposta uma boa palavra, assim como está escrito: "Mais vale uma boa palavra do que a mais preciosa dádiva". Tenha a seu cuidado tudo o que o abade lhe tiver ordenado e não ouse intervir naquilo que lhe houver proibido. Dê aos irmãos o alimento determinado, sem arrogância e sem demora, para que eles não se escandalizem, lembrando-se do castigo com que a palavra da Escritura ameaça "quem escandalizar um dos pequeninos". Se a comunidade for numerosa, receberá auxiliares, a fim de que, aliviado por eles, possa desempenhar o seu ofício com espírito tranqüilo. Será dado e pedido às horas convenientes aquilo que deve ser dado e pedido, para que ninguém seja maltratado ou contristado na casa de Deus.

Capítulo 32

10.03 / 10.07 / 09.11

OS UTENSÍLIOS E MÓVEIS DO MOSTEIRO
Dentre os irmãos, o abade escolherá aqueles cuja vida e costumes lhe inspiram confiança e lhes entregará tudo o que possui o mosteiro em utensílios, vestuários e outros objetos, colocando-os aos seus cuidados como lhe parecer conveniente, a fim de que os conservem e guardem. Desses objetos tenha o abade um inventário; de forma que, sucedendo-se os irmãos na administração, saiba ele o que dá e o que recebe. Se algum mostrar negligência e falta de asseio no tratamento dos objetos do mosteiro, será repreendido; não se emendando, sofrerá os castigos costumeiros.

Capítulo 33

11.03 / 11.07 / 10.11

SE OS MONGES DEVEM TER ALGUMA COISA PRÓPRIA
Acima de tudo, seja este vício da propriedade extirpado do mosteiro pela raiz, a fim de que ninguém ouse dar ou receber qualquer coisa sem autorização do abade, nem possuir algo de próprio, absolutamente nada, nem mesmo um livro, tabuinhas (de escrever) ou estilete; em uma palavra, coisa alguma, como pessoas a quem não é permitido ter em seu poder sequer os seus corpos e a própria vontade. Mas, devem esperar do pai do mosteiro todo o necessário. Não lhes seja licito, portanto, possuir algo que o abade não lhes houver dado, ou permitido ter, seja tudo comum para todos, conforme está escrito; e ninguém diga ou presuma ser sua alguma coisa. Se alguém for surpreendido a deleitar-se neste vício pernicioso, será advertido uma ou duas vezes; não se emendando, será submetido à correção.

Capítulo 34

12.03 / 12.07 / 11.11

SE TODOS DEVEM RECEBER IGUALMENTE O NECESSÁRIO
Como está escrito: "Distribuía-se a cada um segundo as suas necessidades". Não queremos dizer com isto que haja acepção de pessoas, do que Deus nos preserve, mas que se tenham em vista as fraquezas de cada um. Portanto, aquele que precisar de menos, dê graças a Deus e não se contriste; quanto àquele que precisar de mais, humilhe-se por causa da sua fraqueza e não se orgulhe pela misericórdia que se tem para com ele. Deste modo, todos os membros viverão em paz. Principalmente, que não apareça o vício da murmuração, seja qual for o motivo, nem pela menor palavra nem por qualquer sinal. Se alguém for nisso surpreendido, seja submetido a castigo muito severo.

Capítulo 35

13.03 / 13.07 / 12.11

OS SEMANÁRIOS DA COZINHA
Os irmãos se servirão mutuamente, de forma que nenhum seja dispensado do trabalho da cozinha, a não ser por enfermidade ou ocupação de maior utilidade; porque nele se adquire maior recompensa e caridade. Serão concedidos auxiliares aos fracos para não desempenharem esta função com tristeza, mas todos terão ajudantes conforme o tamanho da comunidade e a situação do lugar. Se a comunidade for numerosa, o celeireiro será dispensado da cozinha, como também aqueles que tiverem ocupações mais importantes, segundo acima dissemos; mas todos os outros se servirão mutuamente com caridade. Aquele que termina a semana, fará no sábado a limpeza. Lavará as toalhas onde os irmãos enxugam as mãos e os pés. O que termina a semana, bem como aquele que a principia, lavará os pés a todos. Entregará ao celeireiro, limpos e inteiros, todos os objetos do seu serviço. O celeireiro por sua vez os passará àquele que começa a semana, a fim de saber o que dá e o que recebe.

14.03 / 14.07 / 13.11

Uma hora antes da refeição, tomem os semanários além da porção costumada, um pouco de pão e de vinho, para que possam servir os seus irmãos sem murmuração nem grande cansaço. Nos dias solenes, porém, esperarão até às orações finais. Os que entram de semana e os que saem deverão ajoelhar-se aos pés de todos no Oratório, no domingo, logo após as Laudes, pedindo que orem por eles. O que terminou a semana dirá este versículo: "Bendito sois Senhor, que me ajudaste e consolaste". Tendo repetido três vezes, receberá a bênção. O que principia a semana dirá em seguida: "Deus, vinde em meu auxílio, Senhor, socorrei-me e salvai-me". E depois deste versículo repetido três vezes por todos, receberá ele a bênção e entrará em função.

Capítulo 36

15.03 / 15.07 / 14.11

OS IRMÃOS ENFERMOS
Antes de tudo e acima de tudo, é preciso cuidar dos enfermos, que deverão ser servidos como se fossem o Cristo em pessoa. Portanto ele próprio disse: "Estive enfermo e me visitastes". E ainda: "O que fizestes a um desses pequeninos que são meus, vós a mim o fizestes". Por seu lado, os doentes considerem que são servidos em honra de Deus e não contristem com exigências supérfluas os irmãos que os servem. É preciso, contudo, suportá-los com paciência, porque se adquire junto a eles maior mérito. Vele, pois, o abade, com a máxima solicitude, para que não sofram eles alguma negligência. Os irmãos doentes terão um aposento separado e para servi-los uma pessoa temente a Deus, caridosa e solícita. Aos enfermos o uso dos banhos é oferecido todas as vezes que for conveniente; mas, aos que estão com saúde, principalmente aos moços, deverão ser permitidos mais raramente. Aos doentes e aos muito debilitados concede-se também o uso da carne a fim de lhes reparar as forças, mas logo que melhorar, guardem todos a abstinência, segundo o costume. Tenha o abade o maior cuidado para que os celeireiros e os enfermeiros nada negligenciem no serviço dos doentes, porque é ele o responsável por todas as faltas em que possam incorrer os seus discípulos.

Capítulo 37

16.03 / 16.07 / 15.11

OS VELHOS E OS MENINOS
Embora o homem seja inclinado por natureza à compaixão para com a velhice a infância, a autoridade da Regra deve, contudo, providenciar a seu respeito. Tenha-se pois em vista, sempre, a sua fraqueza e, de modo nenhum, se guarde para com eles o rigor da Regra no que diz respeito à alimentação; mas, tenha-se para com eles uma atenção caridosa e antecipem-se para eles as horas regulares das refeições.

Capítulo 38

17.03 / 17.07 / 16.11

O LEITOR SEMANÁRIO
A leitura nunca deve faltar à mesa dos irmãos durante a refeição. Não ouse ler quem por ventura tomar um livro, mas aquele que deve ler a semana inteira começará no domingo. Após a missa e comunhão, recomenda-se às orações de todos para que Deus desvie dele o espírito de orgulho. Digam todos no oratório por três vezes este versículo, que ele começará: "Senhor, abri os meus lábios e minha boca cantará vosso louvor". Recebida a bênção, começará sua semana de leitura. Na mesa observe-se completo silêncio, de modo que não se ouça ali sussurro ou palavras de ninguém, mas apenas a voz do leitor. Os irmãos passarão uns aos outros o necessário para comer e beber, de forma que nenhum precise pedir alguma coisa. No entanto se alguém necessitar de alguma coisa, ele a pedirá de preferência por meio de som ou de algum sinal em vez de palavras. Ninguém tenha a ousadia de fazer perguntas sobre a leitura ou qualquer outro assunto, a fim de não dar ocasião ao mal. Contudo, o superior poderá dizer alguma coisa em poucas palavras, para edificação dos irmãos. O leitor semanário tomará um pouco de vinho antes de começar a leitura, por causa da comunhão e para que o jejum não lhe seja difícil de suportar. Tomará em seguida a sua refeição com os serventes e semanários da cozinha. Os irmãos não leiam nem cantem segundo a sua ordem, mas somente aqueles que possam edificar os ouvintes.

Capítulo 39

18.03 / 18.07 / 17.11

A QUANTIDADE DO ALIMENTO
Parece-nos que dois pratos cozidos são suficientes em todas as mesas para a refeição quotidiana tanto da sexta como da nona hora, em atenção às fraquezas de cada um; de forma que, se alguém não puder comer de um prato alimente-se do outro. Portanto, dois pratos de cozidos são suficientes para os irmãos e, se houver frutas ou legumes tenros, serão acrescentados em terceiro lugar. Uma libra de pão bem pesada chegará para cada dia, quer se faça uma só refeição, quer se tenha de jantar e cear. No dia em que houver ceia, o celeireiro reservará um terço desta libra para ser servida naquela refeição. Se houver algum trabalho maior, dependerá do critério e do poder do abade acrescentar alguma coisa, se o julgar conveniente, evitando antes de tudo os excessos, para que o monge nunca seja surpreendido por uma indigestão; porquanto, nada mais oposto ao cristão que o excesso na comida, conforme estas palavras de Nosso Senhor: "Tomai cuidado para que vossos corações não se tornem mais pesados pela gula". Quanto aos meninos mais novos, não lhes sirva a mesma quantidade de comida e sim menos do que aos mais velhos, guardando em tudo a sobriedade. Todos não comerão carne dos quadrúpedes, exceto os doentes muito enfraquecidos.

Capítulo 40

19.03 / 19.07 / 18.11

A QUANTIDADE DA BEBIDA
Cada qual recebeu de Deus o seu dom especial: um de um modo, outro de outro. Portanto, não é sem escrúpulo que ousamos determinar para os outros a quantidade dos seus alimentos. Todavia, tendo em vista o temperamento dos fracos, parece-nos que um quarto de litro de vinho por dia é bastante para cada um. Quanto àqueles a quem Deus concede forças para dispensá-lo, saibam que receberão recompensa especial. Se porém, a situação do lugar, o trabalho ou o grande calor do verão pedirem alguma coisa mais, o critério do superior o decidirá; cuide ele de tudo para que não se introduza a saciedade ou a embriaguez. Lemos, é verdade, que "o vinho não convém de forma alguma aos monges"; mas, como não é possível convencer disso os monges do nosso tempo, procuremos ao menos não beber até à saciedade, mas com moderação, porque "o vinho faz apostatar até os sábios". Se porém, a pobreza do lugar não permitir que se obtenha a referida quantidade de vinho e sim muito menos ou absolutamente nada, os que aí vivem dêem graças a Deus e não murmurem, porque acima de tudo advertimos que se abstenham de qualquer murmuração.

 

 

Capítulo 41

20.03 / 20.07 / 19.11

A QUE HORAS OS MONGES TOMAM AS REFEIÇÕES
Desde a santa Páscoa até Pentecostes, os irmãos farão a sua refeição à hora sexta e cearão à tardinha. Durante todo o verão a partir de Pentecostes, jejuarão às quartas e sextas-feiras até à hora do Noa, se não tiverem trabalhos nos campos ou se o calor excessivo do verão não os incomodar. Nos outros dias jantarão à hora de Sexta. Esta hora de Sexta deverá ser conservada para o jantar, se houver trabalho nos campos ou se o calor do verão for excessivo; a previdência do abade o decidirá. Assim deverá ele equilibrar e dispo tudo, de forma que as almas se salvem e os irmãos façam a sua obrigação sem justa murmuração. Desde quatorze de setembro até o começo da Quaresma, os irmãos farão a refeição à hora de Noa. Mas, durante a Quaresma até à Páscoa, comerão à hora de Vésperas. Seja celebrada esta hora das Vésperas de forma que não necessitem de lâmpada na refeição, terminando tudo ainda com a claridade do dia. Aliás, em qualquer tempo, quer haja ceia, quer haja somente jantar, regule-se a hora de tal modo, que tudo se faça enquanto ainda está claro.

Capítulo 42

21.03 / 21.07 / 20.11

QUE NINGUÉM FALE DEPOIS DAS COMPLETAS
Em todo tempo devem os monges aplicar-se ao silêncio, mas principalmente durante as horas da noite. Assim se procederá em todo tempo, quer jejuem quer jantem. Quando houver jantar, logo ao se levantarem da ceia, sentem-se todos juntos e um deles leia as conferencias ou a Vida dos Padres, ou alguma coisa que edifique os ouvintes. Todavia não se lerá o Pentateuco nem o Livro dos Reis, porque não seria útil às inteligências frágeis ouvir em tal momento essa parte da Escritura, que deverá ser lida em outras horas. Se for dia de jejum, ditas as Vésperas, após breve intervalo reúnam-se logo para a leitura, como dissemos. Leiam-se quatro a cinco folhas ou quanto a hora permitir, devendo todos reunir-se durante esse tempo de leitura. Se algum estiver ocupado em trabalho que lhe tenha sido confiado, compareça sem demora. Reunidos todos, serão ditas as Completas; após a saída, a ninguém mais se permitirá falar seja o que for. Se alguém for encontrado infringindo essa regra de silêncio, seja submetido a castigo muito severo. Excetuando-se o caso em que fosse necessário receber hóspedes ou tendo o abade qualquer coisa a ordenar. Mesmo assim deve-se proceder com toda seriedade e digna moderação.

Capítulo 43

22.03 / 22.07 / 21.11

OS QUE CHEGAM TARDE AO OFÍCIO DIVINO OU À MESA
À hora do Ofício Divino, logo ao ouvir o sinal, deixa-se o que se tem entre as mãos, comparecendo com toda a presteza, com seriedade porém a fim de não dar incentivo à desenvoltura. Portanto, nada se anteponha à Obra de Deus. Se alguém chegar às Vigílias da noite depois do Glória do salmo noventa e quatro, que por isso desejamos se diga de modo lento e muito prolongado, não permanecerá em sua ordem no coro; mas ficará no último lugar, ou em outro lugar à parte, designado pelo abade para esses negligentes, a fim de que ele e todos o possam ver e acabado o Ofício Divino faça penitência dando satisfação diante de todos. Se achamos conveniente colocá-lo assim separados ou em último lugar, é a fim de se corrigirem ao menos pela vergonha de se acharem expostos aos olhares de todos. Porquanto, se ficassem fora do oratório, talvez algum deles fosse de novo deitar-se e dormir, ou então, sentando-se do lado de fora, se entregasse a conversas e desse ocasião ao espírito maligno. Entre, pois, a fim de não perder tudo e emendar-se daí em diante. Nas Horas do dia, aquele que chegar depois do versículo e do Glória do primeiro salmo que segue a esse versículo, permanecerá também em último lugar, da forma que acabamos de estabelecer, e não ousará reunir-se ao coro dos monges na salmodia até que tenha dado satisfação, a não ser que o abade tenha dado seu perdão; mas ainda nesse caso deverá o culpado dar satisfação.

23.03 / 23.07 / 22.11

À mesa, aquele que não chegar antes do versículo, de modo que todos o digam juntos com a oração e se sentem à mesa ao mesmo tempo, sendo por negligência ou por culpa sua, será repreendido até duas vezes. Se não se emendar, não lhe será permitido participar da mesa comum; separado assim da companhia de todos, comerá só e será privado de sua porção de vinho até que tenha dado satisfação e se tenha corrigido. Sofrerá igual castigo aquele que não estiver presente ao versículo que se diz depois da refeição. Ninguém ouse comer ou beber seja o que for, antes ou depois da hora determinada; mas, se o superior oferecer alguma coisa a um monge e este a recusar, quando ele desejar o que antes houver recusado ou qualquer outra coisa, não o receberá até que tenha dado conveniente satisfação.

Capítulo 44

24.03 / 24.07 / 23.11

COMO DEVEM OS EXCOMUNGADOS SATISFAZER
Aquele que por uma falta grave tiver sido excomungado do oratório e da mesa comum, mantenha-se prostrado em silêncio diante da porta do oratório, na hora em que ali se celebra o Ofício Divino. Mas, ao saírem os monges do oratório, prostra-se aos pés de todos, com o rosto em terra, Assim fará até que o abade julgue haver reparado. Dando, pois, o abade ordem, irá prostrar-se aos seus pés e aos de todos os irmãos para que rezem por ele. Se o abade o ordenar, será então readmitido no coro, no lugar que por ele lhe for designado; no entanto, não poderá sem nova ordem do abade, entoar salmos, leitura ou seja o que for. E, por ocasião de todas as Horas quando terminar o Ofício Divino, prostra-se no lugar onde estiver, satisfazendo deste modo, até que o abade lhe mande cessar. Quanto àquele que, por culpas leves, é apenas excomungado da mesa comum, satisfaz no oratório, continuando a fazê-lo segundo a ordem do abade até que este lhe dê a bênção e diga: Basta.

Capítulo 45

25.03 / 25.07 / 24.11

OS QUE ERRAM NO CORO
Quando alguém se enganar ao recitar um salmo, responsório, antífona ou leitura, se não se humilhar ali mesmo, perante todos, dando satisfação, será submetido a correção mais severa por não ter querido reparar com um ato de humildade a falta cometida por negligência. Os meninos, quando caírem em tais faltas, receberão varadas.

Capítulo 46

26.03 / 26.07 / 25.11

OS QUE INCORREM EM QUAISQUER OUTRAS FALTAS
Quando num trabalho qualquer, na cozinha, no celeiro, numa oficina, na padaria, no jardim, no exercício de algum ofício, ou em qualquer lugar, alguém cair em falha, quebrar ou perder alguma coisa, ou cometer qualquer outra transgressão, se não vier imediatamente, por sua livre vontade, dar satisfação e declarar o seu erro em presença do abade e de toda a comunidade, sendo a sua falta conhecida por intermédio de outro, será submetido à correção mais severa. Mas, tratando-se de pecado oculto na consciência, manifestará somente ao abade ou aos conselheiros espirituais, que sabem curar os próprios males e os dos outros, sem os revelar ou divulgar.

Capítulo 47

27.03 / 27.07 / 26.11

MODO DE ANUNCIAR A HORA DO OFÍCIO DIVINO
Ao abade cabe o cuidado de dar o sinal para o Ofício Divino, quer de dia quer de noite; ele próprio exercerá esta função ou a confiará a um monge tão atento que tudo se faça às horas devidas. Quanto aos salmos e antífonas, aqueles que houverem recebido ordem os entoarão por sua vez depois do abade. Mas ninguém ouse cantar ou ler, se não puder desempenhar este ofício de modo a edificar os ouvintes; seja portanto esta função executada com humildade, responsabilidade e temor, e por aquele a quem o abade tiver ordenado.

Capítulo 48

28.03 / 28.07 / 27.11

O TRABALHO MANUAL COTIDIANO
A ociosidade é inimiga da alma. Os irmãos devem portanto ocupar-se em certos momentos com o trabalho manual e em outras horas fixas na leitura das coisas de Deus. Eis porque julgamos necessário determinar a divisão do tempo do seguinte modo: desde a Páscoa até quatorze de setembro, os irmãos saem de manhã e trabalham no que for preciso, desde às sete horas da manhã até perto das dez horas. A partir das dez horas até perto das doze horas, se ocupam na leitura. Depois das doze horas, ao levantarem-se da mesa, repousam nas suas camas, em completo silêncio. Se alguém quiser ler, leia para si de modo a não incomodar os outros. A Noa será um pouco antecipada pelas duas horas e meia da tarde; depois voltam ao trabalho designado, até às Vésperas. Se porém a necessidade do lugar ou a pobreza exigirem que se ocupem por si mesmos em fazer a colheita, não se entristeçam, porque são verdadeiramente monges, quando vivem do trabalho de suas mãos, como os nossos Pais e os Apóstolos. Mas, faça-se tudo com moderação por causa dos fracos.

29.03 / 29.07 / 28.11

Desde quatorze de setembro até à entrada da Quaresma, entregam-se à leitura até perto das nove horas. Em seguida reza-se a Terça; e depois todos se entregam ao trabalho que lhes tiver sido designado. Ao primeiro som da Noa, cada um deixa o seu trabalho e se apronta para o momento em que tocar o segundo sinal. Depois da refeição, se ocupam nas suas leituras ou no estudo dos salmos. Durante a Quaresma fazem as suas leituras desde a manhã até perto das dez horas; em seguida se ocupam do trabalho que lhes é designado, até às quatro horas da tarde. Nesses dias de Quaresma, cada um recebe da biblioteca um livro que deve ler por inteiro e em ordem. Esses livros são distribuídos no início da Quaresma. Antes de tudo designe-se um ou dois irmãos antigos, que serão encarregados de percorrer o mosteiro às horas em que os irmãos se entregam à leitura e ver se há talvez algum irmão negligente que, em vez de se aplicar na leitura, se dê à ociosidade ou a conversas vãs e não somente se prejudique a si, mas também dissipe os outros. Se, o que Deus não permita, um irmão for surpreendido em semelhante falta será repreendido uma até duas vezes; se não se emendar, será submetido à correção regulamentar de modo a intimidar os outros. Um irmão não se reunirá a outro em horas que não convém. Aos domingos, todos os irmãos se ocupam na leitura, exceto aqueles que estão encarregados dos diversos ofícios. Se houver algum tão negligente e preguiçoso que não queira ou não possa estudar ou ler, seja-lhe dado um trabalho a fazer, a fim de não ficar ocioso. Quanto aos irmãos doentes ou fracos, sejam incumbidos de ocupação ou ofício tal que lhes evite a ociosidade sem oprimi-los com excesso de trabalho, a fim de que não desanimem. A sua fraqueza deverá ser levada em consideração pelo abade.

Capítulo 49

31.03 / 31.07 / 30.11

A OBSERVÂNCIA DA QUARESMA
Se bem que a vida do monge deva ser em todo tempo conforme a observância da Quaresma, como entretanto esta virtude é apenas de poucos, exortamos a que vivam durante estes dias da Quaresma com toda a pureza e apaguem nesses dias santos todas as negligências dos outros tempos. É o que faremos dignamente, renunciando a todos os vícios, aplicando-nos à oração acompanhada de lágrimas, à leitura, à compunção do coração e à abstinência. Acrescentemos, portanto, nestes dias alguma coisa ao encargo habitual de nosso serviço: orações especiais, qualquer privação na comida e na bebida, de forma que cada um ofereça a Deus por sua livre vontade, na alegria do Espírito Santo, alguma coisa mais do que lhe é ordenado, isto é, mortifique seu corpo na comida, na bebida, no sono, na liberdade de falar e gracejar, esperando a santa Páscoa com a alegria do desejo espiritual. No entanto, cada um deverá declarar ao seu abade o que deseja oferecer, a fim de fazê-lo com a sua oração e bênção; porque tudo o que se faz sem a permissão do pai espiritual será considerado como presunção e vaidade e não terá recompensa. Tudo se faça, portanto, com a aprovação do abade.

Capítulo 50

01.04 / 01.08 / 01.12

QUANDO OS IRMÃOS TRABALHAM LONGE DO ORATÓRIO OU ESTÃO EM VIAGEM
Os irmãos que estão trabalhando a uma distância considerável e não podem comparecer no oratório à hora determinada, julgando o abade que assim é, celebrarão o Ofício Divino no lugar em que se acharem trabalhando, podo-se de joelhos com temor de Deus. Do mesmo modo, aqueles que estiverem em viagem não deixarão passar as Horas determinadas, mas como puderem, ali mesmo as desempenhem, não negligenciando o cumprimento desta obrigação.

Capítulo 51

02.04 / 02.08 / 02.12

QUANDO OS IRMÃOS VÃO A LUGARES POUCO AFASTADOS
O irmão que sai para alguma incumbência, se espera voltar no mesmo dia ao mosteiro, não ousará comer fora, ainda mesmo que seja convidado com insistência por alguém, a não ser que o abade tenha permitido. Se proceder de outra forma, será excomungado.

Capítulo 52

03.04 / 03.08 / 03.12

O ORATÓRIO DO MOSTEIRO
O oratório seja o que o seu nome significa. Nada de diferente se faça ou se guarde ali. Terminado o Ofício Divino, saiam todos com o maior silêncio e mantenha-se a adoração a Deus; de modo que, se algum irmão quiser ficar para rezar em particular, não seja impedido pela imoderação de outro. Assim também, se alguém, em outro momento, quiser rezar com mais silêncio entre simplesmente e reze, não em voz alta, mas com lágrimas e fervor do coração. A quem não proceder assim não lhe será permitido permanecer no oratório depois do Ofício Divino, como já dissemos, para não ser obstáculo a outro.

Capítulo 53

04.04 / 04.08 / 04.12

A RECEPÇÃO DOS HÓSPEDES
Todos os hóspedes que vêm ao mosteiro são recebidos como o próprio Cristo, porquanto ele dirá um dia: "Fui hóspede e me recebestes". São concedidas a cada um as honras devidas, especialmente aos que professam a fé e aos peregrinos. Logo que se houver anunciado a chegada de um hóspede, o superior e os irmãos vão ao seu encontro com toda a solicitude da caridade. Primeiro rezam junto e em seguida dão-se mutuamente a paz. Este beijo da paz não deve ser dado antes da oração por causa das ilusões do diabo. Na maneira de saudar os hóspedes, procede-se com toda a humildade. Diante de todos aqueles que chegam ou partem inclina-se a cabeça ou mesmo, prostra-se inteiramente em terra, adorando o Cristo que neles se recebe. Assim acolhidos, os hóspedes são conduzidos à oração; depois, o superior ou aquele que este houver determinado, assenta-se com eles. Leia-se em sua presença a lei divina para edificá-los, concedendo-lhes, depois, todos os deveres da caridade. O superior quebra o jejum à chegada de um hóspede, a não ser que se trate de um dos principais jejuns, que não se pode violar. Quanto aos irmãos, continuam a observar os jejuns. O abade serve aos hóspedes a água para lavar as mãos; mas os pés de todos os hóspedes são lavados tanto pelo abade como por toda a comunidade. Depois de os haverem lavado, dizem este versículo: "Recebemos, Senhor, vossa misericórdia no meio de vosso templo". São recebidos com todo o cuidado e solicitude particular os pobres e peregrinos, por ser principalmente na pessoa deles que se recebe o Cristo; no que diz respeito aos ricos, o temor que inspiram já obriga a honrá-los.

05.04 / 05.08 / 05.12

A cozinha do abade e dos hóspedes é separada, a fim de não serem os irmãos incomodados com a chegada dos hóspedes, que aparecem a horas incertas e nunca faltam no mosteiro. Todos os anos, entram em serviço nessa cozinha dois irmãos aptos a bem desempenharem este trabalho. São concedidos auxiliares conforme a necessidade que tiverem, a fim de servirem sem murmurar. E, quando tiverem menos que fazer, vão trabalhar onde lhes for ordenado. Não só neste ofício, mas em todos os outros do mosteiro, observa-se esta disposição: quando os irmãos tiverem necessidade, recebem ajudantes; quando lhes faltar ocupação, obedeçam fazendo o que lhes for ordenado. Quanto aos aposentos dos hóspedes, são confiados a um irmão cuja alma esteja penetrada do temor de Deus. Haverá nesse lugar camas preparadas em número suficiente; e a casa de Deus seja sabiamente administrada por pessoas sábias. Sem haver recebido ordem, ninguém se reúne com os hóspedes nem lhes fala; nas, se alguém os encontra ou avista, cumprimenta-os com humildade, como já dissemos, e tendo pedido a bênção, segue seu caminho, declarando não lhe ser permitido conversar com os hóspedes.

Capítulo 54

06.04 / 06.08 / 06.12

QUANDO UM MONGE RECEBE CARTAS E PRESENTES
Sem permissão do abade, um monge não pode de forma alguma receber de seus pais, ou de quem quer que seja, mesmo dos irmãos, cartas presentes ou pequenas dádivas, nem mesmo mandá-las a alguém. Ainda que seus pais lhe enviem alguma coisa, não ousa recebê-la antes do abade ter sido informado. Se ordenar o abade que o objeto seja recebido, cabe-lhe determinar a quem deve ser dado; e o irmão a quem era destinado, não se contristará absolutamente, para não dar entrada ao demônio. Quem ousar proceder de outra forma, será submetido aos castigos costumeiros.

Capítulo 55

07.04 / 07.08. 07.12

O VESTUÁRIO E O CALÇADO DOS IRMÃOS
O irmãos recebem o vestuário de acordo com as condições e a temperatura dos lugares em que habitam, pois nas regiões frias é necessário mais roupa e nas regiões quentes, menos; o abade deve, portanto, levar isso em consideração. Julgamos todavia que, nos climas temperados, bastam a cada monge uma cogula e uma túnica, a cogula de fazenda felpuda para o inverno e leve ou usada para o verão. Além disso, um escapulário para o trabalho; também para calçar, meias e sapatos. Os monges não devem se incomodar por causa da cor e da rusticidade dessas vestes; aceitam o que se encontrar na região onde habitam e que seja o mais barato possível. Quanto à medida dos hábitos, o abade terá o cuidado de que não sejam demasiadamente curtos e sim proporcionados à altura daqueles que vão vesti-los. Quando se recebem novos, entregam-se os velhos, que são colocados na rouparia, para os pobres; portanto bastam a um monge duas túnicas e duas cogulas para mudá-las à noite e as lavar. Tudo o que exceder a isso é supérfluo e deve ser supresso. Os monges entregarão igualmente o calçado velho e tudo quanto estiver usado, logo que recebam novos. Os que tiverem de viajar recebem calções da rouparia, e no regresso os restituem lavados. As cogulas e as túnicas daqueles que saem são um pouco melhores do que as que usam habitualmente; recebem da rouparia ao partir, e ao voltar, as entregam lavadas.

08.04 / 08.08 / 08.12

Para arrumar a cama bastam uma esteira, um lençol grosso, um cobertor e um travesseiro. O abade visita com freqüência estes leitos para verificar se neles não se encontra algum objeto de que se tenham apropriado. Se for descoberta na cama de alguém alguma coisa que não tenha recebido do abade, será submetido a correção muito severa. E, a fim de que este vício da propriedade seja cortado pela raiz, o abade dá a cada um tudo o que lhe for necessário, a saber: cogula, túnica, meias, sapatos, cinto, faca, estilete, agulha, lenço, tabuinha, a fim de evitar toda desculpa de necessidade. O abade deve, contudo, lembrar-se sempre desta sentença dos Atos dos Apóstolos: "Dava-se a cada um conforme a sua necessidade". Atenda, portanto, o abade às necessidades reais e não leve em conta as más disposições dos invejosos. Em todas as suas decisões pense, entretanto na retribuição de Deus.

Capítulo 56

09.04 / 09.08 / 09.12

A MESA DO ABADE
A mesa do abade seja sempre com os hóspedes e peregrinos. Todavia, quando os hóspedes forem em menor número, poderá chamar os irmãos que quiser. Terá, porém, o cuidado de deixar com os irmãos um ou dois dos mais antigos para manterem a disciplina.

Capítulo 57

10.04 / 10.08 / 10.10

OS ARTISTAS DO MOSTEIRO
Se houver artistas no mosteiro exerçam sua profissão com toda a humildade, se o abade o permitir. Se algum dentre eles se envaidecer pela sua habilidade no ofício, parecendo-lhe que traz vantagem para o mosteiro, será retirado desse trabalho e não tornará a exercê-lo a não se que se humilhe e o abade lhe ordene de novo. Tendo-se de vender algum trabalho feito pelos artistas, aqueles por cujas mãos devem passar os objetos, não se atrevam a cometer alguma fraude. Lembrem-se de Ananias e Safira, para que a morte por esses padecida no corpo, não a venham a sofrer na alma, eles e todos aqueles que cometessem fraude em relação aos bens do mosteiro. Não se introduza nos preços o mal da avareza, mas ao contrário, sempre se venda um pouco mais barato do que os seculares, a fim de que "em tudo seja Deus glorificado".

Capítulo 58

11.04 / 11.08 / 11.12

COMO RECEBER OS IRMÃOS
Quando alguém se apresentar no mosteiro para converter-se, não se lhe deve permitir facilmente entrada; mas faça-se, como diz o Apóstolo: "Experimentai os espíritos a fim de saber se são de Deus". Se durante quatro ou cinco dias o recém-vindo perseverar em bater à porta e se mostrar paciente em suportar todos os maus tratos que lhe fazem e a dificuldade da entrada, persistindo no seu pedido, a entrada lhe será concedida e a sua morada será pelo espaço de alguns dias na habitação dos hóspedes, passando depois disto a ser na casa do noviciado, onde eles meditam, comem e dormem. Designe-se para cuidar deles um monge antigo e apto a ganhar as almas, que atentamente os vigie em tudo. Haja solicitude para conhecer se verdadeiramente procura a Deus, se é fervoroso no Ofício Divino, pronto na obediência e em sofrer as humilhações. Sejam-lhe manifestadas todas as coisas duras e ásperas pelas quais se alcança a Deus. Se prometer perseverar com firmeza, passados dois meses, lê-se para ele esta Regra por ordem e lhe será dito: "Eis aqui a lei sob a qual queres militar; se podes observá-la entra; no caso contrário, tens a liberdade de te retirar". Se insistir ainda em permanecer, será reconduzido ao noviciado e continua-se a experimentar-lhe a paciência de todos os modos. Após um período de seis meses, leia-se ainda a Regra, a fim de bem saber a que se obriga. Se ainda permanecer, leia-se de novo esta mesma Regra passados quatro meses. Se, depois de haver deliberado consigo mesmo, prometer cumpri-la em todos os pontos e observar tudo quanto lhe for ordenado, será então admitido na comunidade, sabendo que em virtude da mesma Regra não lhe é permitido, desde este dia, abandonar o mosteiro, nem sacudir o jugo desta Regra que, após tão longa deliberação, poderia ter recusado ou aceitado.

12.04 / 12.08 / 12.12

Aquele que vai ser recebido promete diante de todos no oratório estabilidade, conversação dos seus costumes e obediência, em presença de Deus e dos seus santos; a fim de saber que, se um dia proceder de outra forma, será condenado por aquele a quem enganou. Desta promessa ele fará uma carta em nome dos santos cujas relíquias se acham nesse lugar e do abade presente. Escreve esta carta com sua própria mão, ou, se ele não souber escrever, um outro a quem ele pedir, a escreve. e o noviço põe nela o seu sinal e a coloca com as suas próprias mãos sobre o altar. Logo em seguida o noviço começa este versículo: "Recebei-me, Senhor, segundo a vossa Palavra e viverei; e não serei confundido na minha esperança". Toda a comunidade repete três vezes depois dele esse versículo ao qual se acrescenta o "Glória ao Pai. O irmão noviço se prostra em seguida aos pés de cada um, a fim de que orem por ele; e, desta data em diante, será considerado membro da comunidade. Se possuir alguns bens, ou ele primeiro os distribui aos pobres ou por uma doação legal os confere ao mosteiro, nada absolutamente reservando pra si; porquanto deve saber que daquele dia em diante não poderá dispor nem mesmo do seu próprio corpo. Imediatamente é despojado, no oratório, das suas próprias roupas, e revestido de outras pertencentes ao mosteiro. Entretanto, as vestes que tiver tirado são colocadas na rouparia para serem conservadas a fim de que, se um dia, por instigação diabólica, ele consentir em sair do mosteiro (o que Deus não permita) possam ser-lhe tiradas as vestes do mosteiro antes de expulsá-lo. Contudo não lhe será restituída a carta que o abade retirou de cima do altar, mas será guardada no mosteiro.

Capítulo 59

13.04 / 13.08 / 13.12

OS FILHOS DOS NOBRES OU DOS POBRES QUE SÃO OFERECIDOS
Se algum nobre quiser oferecer seu filho a Deus no mosteiro, sendo o menino de pouca idade, os próprios pais fazem a carta de que acima falamos. Envolvem a carta e a mão da criança, com a oblação, na toalha do altar, e desse modo a oferecem. Quanto aos seus bens, ou eles se comprometem sob juramento, pela carta apresentada, a nunca darem coisa alguma ao menino, nem lhe proporcionarem jamais ocasião de possuir, quer por seu intermédio, quer pela intervenção de terceiro ou mesmo de qualquer outra maneira; ou então, se não o quiserem fazer e tiverem no entanto a intenção de oferecer alguma coisa de esmola ao mosteiro, a título de recompensa, façam doação do que desejarem dar à comunidade, reservando mesmo para si o usufruto, se o quiserem. Por esse meio, se fecham todos os caminhos, de forma que não restará ao menino a menor esperança que serviria apenas para enganá-lo e perdê-lo (do que Deus o preserve), conforme temos aprendido pela experiência. Aqueles que forem menos abastados procedem do mesmo modo. Quanto aos que absolutamente nada possuem, façam simplesmente a carta e ofereçam seu filho com a oblação, em presença de testemunhas.

Capítulo 60

14.04 / 14.08 / 14.12

OS SACERDOTES QUE DESEJAREM HABITAR NO MOSTEIRO
Se algum sacerdote pedir para ser recebido no mosteiro não se consinta rapidamente ao seu desejo, contudo se persistir com insistência no seu pedido, saiba que terá de cumprir toda a disciplina da Regra e nenhuma dispensa lhe será concedida, para que se faça como está na Escritura: "Meu amigo, com que intenção vieste?" Todavia lhe será permitido sentar-se junto ao abade, dar a bênção ou concluir as orações finais, se, porém, o abade o autorizar; no caso contrário, não presuma fazer coisa alguma, sabendo que está sujeito à disciplina da Regra, e deve principalmente dar a todos exemplo de humildade. Ao tratar-se no mosteiro de lugar a ocupar, ou em outra qualquer circunstancia, ele considerará como seu o lugar correspondente à sua entrada no mosteiro e não aquele que lhe concederam em atenção ao sacerdócio. Se algum clérigo, impelido pelo mesmo desejo, quiser ser incorporado ao mosteiro, será colocado em lugar médio, se todavia prometer a observância da Regra e a própria estabilidade.

Capítulo 61

15.04 / 15.08 / 15.12

COMO RECEBER OS MONGES ESTRANGEIROS
Quando um monge estrangeiro, vindo de regiões longínquas, quiser habitar no mosteiro na qualidade de hóspede, e se contentar com o gênero de vida que ali encontrar, é recebido pelo espaço de tempo que desejar, contanto que não perturbe o mosteiro pelas suas exigências, mas simplesmente se contente com o que encontrar. Achando ele alguma coisa a censurar ou a advertir com razão, humildade e caridade, o abade examine com prudência se não foi talvez justamente para esse fim que o Senhor o enviou. Se mais tarde ele quiser fixar a sua estabilidade, não se faz oposição a esta vontade, tanto mais que se pôde avaliar o seu modo de vida durante o tempo da hospitalidade.

16.04 / 16.08 / 16.12

Se, porém, durante a sua hospedagem se houver notado que é exigente e vicioso, não só não deve ser agregado ao corpo do mosteiro, mas seja-lhe dito cortesmente que se retire para não prejudicar os outros com a sua miséria. Entretanto, se a sua conduta não for tal que ele mereça ser despedido, não só deve ser recebido e incorporado à comunidade se o pedir, mas ainda deve ser aconselhado a permanecer, a fim de que os outros se instruam com o seu exemplo e porque em toda parte se serve ao mesmo Senhor e se combate sob o estandarte do mesmo rei. Se o abade o julgar digno, poderá até estabelecê-lo em lugar um pouco mais elevado. E não só aos monges, mas também aos sacerdotes e clérigos de que acima falamos, o abade pode colocar em lugar superior ao da sua entrada, quando reconhecer que a vida deles o merece. Mas, abstenha-se o abade de receber para morar ali um monge de mosteiro conhecido, sem o conhecimento do seu abade, ou sem cartas de recomendação, porquanto está escrito: "Não faças a outro aquilo que não queres que te façam".

Capítulo 62

17.04 / 17.08 / 17.12

OS SACERDOTES DO MOSTEIRO
Quando o abade deseja que se ordene um sacerdote ou um diácono para o seu mosteiro, escolhe dentre os seus monges, algum que seja digno de exercer o sacerdócio. Quanto àquele que tiver sido ordenado, deve acautelar-se contra a exaltação e o orgulho. Não deve portanto tomar parte em coisa alguma, se não houver recebido ordem do abade, considerando-se como muito mais sujeito, de então em diante, à disciplina da Regra. Não lhe seja o sacerdócio motivo de esquecer a obediência e a observância prescritas na Regra; mas, ao contrário, progrida cada vez mais no caminho do Senhor. Excetuando nas funções do altar, considera sempre como seu o lugar de sua entrada no mosteiro, ainda mesmo que a escolha da comunidade e a vontade do abade o tenham elevado mais alto pelo mérito da vida. Saiba, no entanto, que tem de observar as disposições feitas pelos decanos ou outros superiores ; se ousar proceder de outra forma, seja considerado não como sacerdote, mas como rebelde. E se depois de muitas vezes admoestado não se corrigir, chama-se o bispo como testemunha. Se ainda não se emendar por esse meio, tornando-se conhecidas as suas faltas, será expulso do mosteiro, no caso em que a sua obstinação seja tal que recuse submeter-se ou obedecer à Regra.

Capítulo 63

18.04 / 18.08 / 18.12

A ORDEM DA COMUNIDADE
No mosteiro cada um conserva o seu lugar conforme a ordem estabelecida pela época da conversão ou pelo mérito da vida ou de acordo com as determinações do abade. Todavia, o abade não deve semear inquietação no rebanho que lhe está confiado, nem fazer disposições injustas, como se exercesse um poder arbitrário; pense ele constantemente nas contas que terá de dar a Deus de todas as suas resoluções e de todos os seus atos. Portanto, segundo o lugar que tiver fixado ou o que os irmãos ocuparem por sua entrada, irão eles receber a paz e a comunhão, entoarão os salmos e se colocarão no coro e em lugar nenhum a idade será motivo de vantagens ou prejuízos, uma vez que Samuel e Daniel ainda meninos julgaram anciãos. Por conseguinte, à exceção daqueles a quem, como dissemos, o abade tiver concedido lugar mais elevado por motivos superiores, ou dos que ele tiver rebaixado por certas razões, todos os outros serão colocados de acordo com o tempo da conversão; de forma que, por exemplo, quem chegou ao mosteiro à segunda hora do dia, qualquer que seja a sua idade ou dignidade, saiba que o seu lugar é abaixo daquele que chegou à primeira hora. Quanto às crianças são mantidas na observância por todos e em todas as coisas.

19.04 / 19.08 / 19.12

Honrem portanto os mais novos aos mais antigos e os mais antigos se afeiçoem aos mais novos. Quando se chamarem uns aos outros, a ninguém será permitido chamar o outro apenas pelo seu nome; os antigos dão aos mais novos o nome de "irmãos" e os novos dão aos antigos o de "senhor", termo que exprime o respeito devido a um pai. Acreditando que o abade ocupando o lugar de Cristo, será chamado "dom e abade", não por pretensão sua, mas em honra e por amor de Cristo. Reflita ele nisso e mostre-se digno de tal honra. Em qualquer lugar onde se encontrem os irmãos, o mais novo pede a bênção ao mais antigo. Se passar um antigo, levanta-se o mais novo e dá-lhe o lugar para se sentar, não ousando sentar-se de novo sem que receba ordem do antigo, a fim de se cumprir o que está escrito: "Antecipai-vos em atenções uns para com os outros". Os meninos, quer os menores quer os adolescentes, guardam os seus lugares com disciplina no oratório e à mesa. Mas, fora dali e onde quer que estejam, ficam sob guarda e vigilância, até atingirem a idade da compreensão.

Capítulo 64

20.04 / 20.08 / 20.12

A ELEIÇÃO DO ABADE
Na eleição do abade, tenha-se sempre em mente estabelecer aquele que houver sido escolhido unanimemente, no temor de Deus, por toda a comunidade ou somente por uma parte dela, ainda que a menos numerosa, sendo mais acertada a sua opinião. Será feita tal escolha segundo o mérito da vida, a doutrina e a sabedoria da pessoa, ainda mesmo que ocupasse o último lugar na comunidade. Se acontecer que a comunidade inteira (o que Deus não permita) eleja unanimemente uma pessoa cúmplice de seus desregramentos, chegando estes ao conhecimento do bispo da diocese a que pertença esse lugar, ou dos abades e cristãos da vizinhança, devem eles impedir que prevaleça a conspiração dos maus e estabeleçam na casa de Deus um digno administrador, certos de que receberão uma boa recompensa, se o fizerem com intenção pura e pelo zelo de Deus, assim como cometeriam um pecado, mostrando-se negligentes. Uma vez estabelecido o abade, deve pensar sempre no encargo que recebeu e quem é aquele ao qual terá de prestar contas da sua administração. Saiba também que deve "mais servir do que mandar". É portanto, necessário ser ele douto na lei divina, a fim de saber onde "buscar o novo e o antigo". Seja casto, sóbrio, misericordioso, fazendo sempre "prevalecer a misericórdia acima da justiça", para obter igual tratamento. "Odeie os vícios, porém, ame os irmãos". Nas próprias correções, proceda com prudência e "sem excessos", a fim de que desejando raspar demais a ferrugem não se quebre o vaso. Nunca perca de vista a sua própria fragilidade e "lembre-se de que não deve esmigalhar o caniço já rachado". Não queremos dizer com isso que deixe desenvolverem-se os vícios; ao contrário, deve arrancá-los, mas com prudência e caridade, conforme lhe parecer melhor em relação a cada um como já dissemos, e procure ser "mais amado do que temido". Não seja agitado nem inquieto; não seja imoderado, obstinado, invejoso ou demasiado desconfiado; de outro modo, nunca estará tranqüilo. Seja previdente e refletido nas suas ordens, quer no serviço de Deus, quer nas coisas deste mundo. Impondo os trabalhos use de discernimento e moderação, considerando a discrição do santo patriarca Jacó, que dizia: "Se eu fatigar os meus rebanhos, forçando-os a caminhar demais, morrerão todos num só dia". Aproveitando-se, portanto, deste exemplo e de outros semelhantes sobre a discrição, que é a mãe das virtudes, regule todas as coisas de tal modo que os fortes desejem fazer mais e os fracos não desanimem. E principalmente, conserve em todos os pontos a presente Regra, a fim de que, depois de haver bem administrado, ouça do Senhor estas palavras proferidas por ele em relação ao bom servo que, em tempo oportuno, distribuiu o trigo entre os seus companheiros: "Em verdade vos digo: ele o estabelecerá sobre todos os seus bens".

Capítulo 65

22.04 / 22.08 / 22.12

O PRIOR DO MOSTEIRO
Acontece muitas vezes surgirem da eleição do prior graves escândalos nos mosteiros, pelo fato de haver alguns que possuídos de um mau espírito de orgulho, considerando-se segundos abades e atribuindo-se um poder tirânico, alimentam conflitos e provocam desentendimentos na comunidade, principalmente nesses lugares onde o prior é constituído pelo mesmo bispo ou pelos mesmos abades que instituíram o abade. É fácil compreender quão absurdo seja isto, porquanto desde o princípio da sua eleição se lhe fornece motivo de orgulho, dando-lhe razão de pensar que está livre do poder de seu abade, visto ter sido eleito pelos mesmos que elegeram o abade. Dali surgem invejas, rixas, murmurações, rivalidades, desentendimentos, desordens. Ora, enquanto o abade e o prior se acham assim separados pelo modo de sentir, é inevitável estarem as suas almas em perigo no meio dessas divisões; os seus súditos, adulando a um ou a outro partido, expõem-se a perder-se, e o mal resultante de tal perigo recai principalmente sobre aqueles que se fizeram autores da nomeação. Eis porque julgamos ser conveniente para a conservação da paz e da caridade ter o abade entre as suas mãos a plena administração do seu mosteiro. E se for possível, conforme estabelecemos acima, seja todo o serviço do mosteiro disposto por meio dos decanos, segundo as ordens do abade, para que, dividido o encargo por muitos, não haja ocasião de que um só se ensoberbeça. Todavia, se o lugar exigir ou a comunidade o pedir com humildade e por motivo justo, julgando o abade conveniente, poderá escolher a quem ele quiser e nomeá-lo seu prior, com o conselho dos irmãos tementes a Deus. O prior executará com todo o respeito tudo quanto o abade lhe ordenar, nada fazendo contra a sua vontade ou determinações, pois tanto mais cuidadosamente deve observar os preceitos do abade, quanto mais elevado estiver acima dos outros. Se esse prior vier a ser reconhecido como vicioso, seduzido pela soberba, ou cheio de desprezo pela santa Regra, seja admoestado até quatro vezes por palavras. Se não se emendar, sofrerá correção pelas penalidades da Regra. Se por esses meios não se corrigir, será destituído do cargo de prior e substituído por outro que seja digno. Se, depois disso, não permanecer sossegado e obediente na comunidade, será mesmo expulso do mosteiro. Mas, pense o abade que tem de dar constas a Deus de todas as suas determinações, para que a chama da inveja ou do ciúme não venham a queimar-lhe a alma.

Capítulo 66

24.04 / 24.08 / 24.12

O PORTEIRO DO MOSTEIRO
À porta do mosteiro coloca'se um ancião prudente que saiba receber e dar uma resposta e cuja maturidade o preserve de vaguear. O porteiro deve ficar alojado junto da porta, a fim de que os que chegam o encontrem sempre presente para lhes responder. E logo que alguém bater à porta ou algum pobre clamar, ele responde "Demos graças a Deus" ou diz "abençoe-me" e, com toda a doçura oriunda do temor de Deus, se apressa em responder com fervorosa caridade. Quando o porteiro necessitar de ajudante, lhe será dado um irmão mais moço. Se for possível, o mosteiro deve estar situado de forma que ali se encontrem todas as coisas necessárias, isto é, água, um moinho, um jardim, para se exercerem em seu recinto os diversos ofícios e os monges não precisem andar por fora, o que não seria bom de modo nenhum para as suas almas. Queremos que esta Regra seja lida muitas vezes em comunidade para nenhum irmão se desculpar sob pretexto de ignorância.

Capítulo 67

25.04 / 25.08 / 25.12

OS IRMÃOS QUE VIAJAM
Os irmãos que recebem ordem de viajar, se recomendam às orações de todos os monges e do abade, e na última oração do Ofício Divino é sempre feita a menção de todos os ausentes. Ao regressarem, e no mesmo dia da chegada, os irmãos prostrados por terra no oratório no fim de todas as Horas canônicas do Ofício Divino, pedem a todos rezarem por eles em razão das faltas que talvez cometessem em viagem, deixando-se surpreender vendo ou ouvindo alguma coisa má ou mantendo conversações ociosas. Nenhum tenha a ousadia de transmitir aos outros tudo o que tiver visto ou ouvido fora do mosteiro, pois poderia prejudicar muito. Portanto, se alguém ousar fazê-lo, será submetido aos castigos da Regra; do mesmo modo quem ousar sair do recinto do mosteiro ou ir a qualquer lugar, fazer seja o que for, mesmo de pouca importância, sem ordem do abade.

Capítulo 68

26.04 / 26.08 / 26.12

QUANDO SÃO ORDENADAS A UM IRMÃO COISAS IMPOSSÍVEIS
Se acontecer que se ordene a um irmão coisas difíceis ou mesmo impossíveis, deve ele receber com toda mansidão e obediência a ordem que lhe for dada. Mas, se vir que o fardo excede totalmente a medida de suas forças, deverá expor ao superior com paciência e no momento oportuno as razões da sua impossibilidade, sem orgulho, resistência ou contradição. Se depois de lhe ter ouvido as ponderações, o superior insiste no seu modo de pensar e mantém a ordem, saiba o mais moço ser-lhe isso de vantagem e por amor, confiando no socorro de Deus, obedeça.

Capítulo 69

27.04 / 27.08 / 27.12

QUE NINGUÉM NO MOSTEIRO OUSE DEFENDER OUTRO
É preciso tomar todo cuidado para que no mosteiro um monge, em caso algum, ouse defender outro e como que protegê-lo, mesmo que qualquer laço de parentesco os una. Não tenham os monges essa ousadia, de qualquer modo que seja, pois disso podem nascer ocasiões gravíssimas de conflitos. Se alguém transgredir esta proibição, seja muito severamente castigado.

Capítulo 70

28.04 / 28.08 / 28.12

NINGUÉM SE ATREVA A CASTIGAR OUTRO
Para evitar no mosteiro todo motivo de presunção, ordenamos e estabelecemos que a ninguém seja permitido excomungar nem castigar algum dos seus irmãos, a não ser que recebesse do seu abade poder para tal fim. Aqueles que desobedecerem serão repreendidos em presença de todos, a fim de que os outros se intimidem. Quanto aos meninos, até atingirem os quinze anos, permaneçam sob a diligente correção e vigilância de todos, porém, com toda a moderação e inteligência. Se alguém ousar repreender, embora ligeiramente, sem ordem do abade, os de mais idade, ou mesmo castigar as crianças sem discrição, será submetido aos castigos da Regra, porquanto está escrito: "Não faças a outrem o que não queres que te façam".

Capítulo 71

29.04 / 29.08 / 29.12

OS IRMÃOS SE OBEDEÇAM MUTUAMENTE
Não é somente em relação ao abade que todos devem praticar o bem da obediência, mas, também os irmãos devem obedecer uns aos outros, sabendo que por esse caminho da obediência eles vão a Deus. Colocando, portanto, acima de tudo as ordens do abade e dos demais superiores, por ele estabelecidos, a cujas ordens não permitimos preferir as dos particulares, todos os jovens obedecem aos mais antigos, com toda a caridade e solicitude. Encontrando-se alguém que conteste, seja castigado. Quando um irmão for repreendido pelo abade ou algum dos antigos, por qualquer causa mesmo ligeira e de qualquer forma que seja, se notar que o espírito desse superior está irritado contra ele, ou ressentido ainda que levemente, logo sem demora se prostra aos seus pés, para lhe dar satisfação, e assim permanece até que por uma bênção demonstre haver acalmado essa emoção. Se alguém, por desprezo, deixa de proceder assim, sofre castigo corporal; mostrando-se obstinado, seja expulso do mosteiro.

Capítulo 72

30.04 / 30.08 / 30.12

DO BOM ZELO QUE OS MONGES DEVEM TER
Assim como há o mau zelo de amargura, que separa de Deus e conduz ao inferno, há também o bom zelo que afasta dos vícios e conduz a Deus e à vida eterna. Exerçam, portanto, os monges esse zelo com amor ferventíssimo, isto é: antecipem-se uns aos outros em honra. Suportem com a máxima paciência as suas enfermidades, quer corporais quer espirituais. Rivalizem em prestar mútua obediência. Ninguém procure o que lhe pareça vantajoso para si, mas sim o que for útil para os outros. satisfaçam com casto amor a dívida da caridade fraterna. Temam a Deus com amor. Amem o seu abade com sincera e humilde caridade. Nada absolutamente prefiram ao Cristo, que nos conduza todos juntos para a vida eterna.

Capítulo 73

01.05 / 31.08 / 31.12

A PRÁTICA DA JUSTIÇA NÃO ESTÁ TODA CONTIDA NESTA REGRA
Escrevemos esta Regra a fim de que, observando-a nos mosteiros, demonstremos possuir pelo menos dignidade de costumes, ou princípios de vida monástica. Mas, para aqueles que se apressam em alcançar a vida perfeita, há as doutrinas dos Santos Padres, cuja observância conduz o homem ao cume da perfeição. Com efeito, qual a página de autoridade divina no Antigo e Novo Testamento, que não represente uma norma retíssima para a vida humana? Ou ainda, qual o livro dos Santos Padres católicos que não transmita o modo de chegarmos por caminho reto ao nosso Criador? Além disso, as "Conferências" dos Padres, as suas "Instituições" e a suas "Vidas", como também a Regra de nosso pai São Basílio, que são elas senão os instrumentos das virtudes dos monges que vivem bem e obedecem? Quanto a nós enfraquecidos, relaxados e negligentes, devemos corar de confusão. Portanto, quem quer que sejas tu que te apressas para a pátria celeste, cumpre com o auxílio do Cristo, esta mínima Regra que acabamos de escrever para principiantes; e enfim, chegarás sob a proteção de Deus, a essas maiores alturas de doutrina e de virtudes, que acima indicamos. Amen.